Queiroz afastado por uma Bósnia que jogou tudo pela honra

O Irão não conseguiu impor-se perante a equipa orientada por Safet Susic. Do mal o menos: o treinador português não se despediu sem festejar um golo.

Foto

Com a vitória da Argentina sobre a Nigéria, no outro jogo do grupo F, um triunfo do Irão seria suficiente para que o conjunto orientado por Carlos Queiroz carimbasse a passagem aos oitavos-de-final da prova. Só que, apesar de ter entrado em jogo já eliminada (após duas derrotas em dois jogos), a Bósnia mostrou que o afastamento precoce do Mundial até pode ter sido apenas um erro de percurso e terminou o encontro com uma natural vitória por 3-1.

Com o orgulho ferido depois de ter sucumbido perante Argentina (1-2) e Nigéria (0-1), a equipa liderada por Safet Susic entrou determinada a limpar a imagem no inevitável adeus ao Brasil e, ao contrário do que tinha acontecido nos dois encontros anteriores, o técnico preferiu o 4x4x2 ao 4x2x3x1, fazendo alinhar Ibisevic ao lado de Dzeko, na frente de ataque.

A aposta pareceu ganha logo aos 4 minutos, quando o avançado do City prega o primeiro susto a Haghighi – o atacante bósnio recebe a bola já dentro de área, consegue a rotação, mas o guardião do Rubin Kazan consegue desviar para canto. Estava dado o mote para o que aí vinha. Aos 23’, a principal estrela do conjunto europeu faz a segunda tentativa, mas, desta vez, não deixa créditos por mãos alheias e, fora de área, desfere um remate de belo efeito que se traduz no primeiro golo da partida.

A equipa de Carlos Queiroz não baixou os braços e esboçou uma reacção, mas era notório que, aos asiáticos, faltava a arte necessária para ameaçar verdadeiramente a baliza de Begovic. Não será por acaso que, à partida para o encontro de ontem, o Irão era a única equipa que ainda não tinha feito balançar as redes adversárias neste Mundial.

E se essa questão até acabaria por ser resolvida por Reza Ghoochannejhad, aos 82’ (apesar dos protestos dos bósnios devido a um eventual fora de jogo), antes disso já Susic tinha aproveitado uma falha da defensiva asiática para servir Pjanic que, sem contemplações, rematou para o 2-0. 

Quanto à estocada final dos homens de Susic, essa chegaria aos 83', quando Vrsajevic finalizou de forma exemplar um contra-ataque da Bósnia, em que os pupilos de Queiroz não tiveram pernas para acompanhar os atacantes contrários.

Estava consumado o adeus do técnico português ao Mundial, aos pés de uma Bósnia que, apesar de ter entrado na derradeira partida de fase de grupos já arredada dos oitavos-de-final, mostrou ter qualidade suficiente para ter feito mais no ano em que estreou em Mundiais.