Itália cai perante Uruguai na fase de grupos

Vitória da “Celeste” (1-0) foi a sexta de equipas sul-americanas sobre europeias no Mundial e levou à demissão do seleccionador italiano, Cesare Prandelli.

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Yves Herman/Reuters

O Uruguai venceu esta terça-feira a Itália no jogo decisivo do grupo F. Numa altura em que os italianos se encontravam reduzidos a dez elementos, um golo de Diego Godín colocou os sul-americanos nos oitavos-de-final do Mundial e fez o seleccionador italiano pedir a demissão após perder o “jogo mais importante da carreira”.

Os adeptos que se deslocaram ao Arena das Dunas fizeram-no com uma certeza: depois de Espanha e Inglaterra, um terceiro antigo campeão do Mundo caía na fase de grupos “Copa”, desta feita em Natal. Algo que já não se via desde 2002, quando Argentina, França e Uruguai não ultrapassaram os respectivos grupos.

O seleccionador Cesare Prandelli, que definiu o encontro como “o mais importante da carreira”, até que podia partir confiante. Não só à Itália bastava o empate, uma vez que tinha vantagem na diferença de golos sobre o Uruguai, como os sul-americanos nunca tinham batido a “squadra azurra” em competições internacionais. No último encontro entre ambos, a contar para a atribuição do 3.º e 4.º lugares na Taça das Confederações, os italianos venceram nas grandes penalidades.

Do outro lado, estava Oscar Tabarez, um seleccionador decidido a não repetir os erros que, na edição de 1990,fizeram a sua equipa sucumbir perante os “azurri”, na altura a jogar em casa. A vitória suada sobre a Inglaterra, na última jornada, alimentou a esperança da “Celeste” em repetir as meias-finais de 2010 e foi a primeira do Uruguai em 44 anos sobre uma equipa europeia nos Campeonatos do Mundo.

Depois de 15 encontros consecutivos sem vencer uma formação do “velho continente”, ao Uruguai competia repetir a proeza e, para isso, Tabarez resgatou o 3x5x2 que permitiu à equipa alcançar o 4.º lugar na África do Sul, deixando Maxi Pereira no banco, de regresso após suspensão (o benfiquista só entrou ao intervalo). Do lado italiano, Immobile era a principal novidade no “onze” escalado.

Numa primeira parte de muita luta, quedas e traumatismos, ambas as equipas estenderam-se no terreno, montadas em sistemas tácticas semelhantes. O futebol, esse, deixou a desejar, e pouco mais se viu para além Marco Verratti. O jovem médio de 21 anos alinhou ao lado de Pirlo no meio campo e, para além de ajudar no processo defensivo da “squadra azurra”, evidenciou pormenores de maestro que as estatísticas fazem questão de atestar: dos 31 passes que realizou, não falhou um único.

De resto, uma importante dupla defesa de Buffon, já depois da meia hora de jogo, era o que sobrava duma primeira parte morna. O mais internacional jogador italiano de todos os tempos, a cumprir o seu 142.º jogo com a selecção, impediu Suárez de visar a baliza e ainda negou a recarga de Lodeiro, na sequência duma boa jogada ofensiva dos uruguaios.

O segundo tempo ameaçava ir pelo mesmo caminho até que a hora de jogo trouxe consigo o momento decisivo da partida. Um minuto depois de Cristian Rodríguez ter desperdiçado a mais flagrante oportunidade de abrir o marcador (58’), Claudio Marchisio é expulso por uma entrada de sola sobre Arévalo Ríos. Numa decisão muito contestada pelo conjunto italiano, o árbitro Marco Rodríguez não teve dúvidas em mostrar o vermelho directo que limitava a estratégia de Prandelli para o que sobrava do encontro.

Apesar da história continuar a jogar a favor dos italianos, que com um expulso, só perderam um dos últimos cinco encontros em Mundiais, com Mário Balotelli, o mais perigoso dos avançados dos “azurri”, no banco após ter sido substituído ao intervalo, a Itália recuou no terreno e o Uruguai foi à procura do golo da qualificação.

Buffon foi impedindo os sul-americanos de fazer a festa, que o diga Suárez quando viu o guarda-redes da Juventus negar-lhe o seu sexto tento em Mundiais, com a melhor defesa do encontro (66’).

Contudo, e já depois do jogador do Liverpool ter escapado à expulsão por morder Chiellini (o uruguaio poderá ser suspenso após a análises das imagens pela FIFA), o golo da “Celeste” acabaria mesmo por surgir. A menos de dez minutos dos 90, Diego Godín, com as costas, correspondeu da melhor forma ao canto do recém-entrado Gastón Ramírez.

O golo do capitão uruguaio, habituado a ser herói improvável - já tinha marcado o golo do que permitiu ao Atlético Madrid sagra-se campeão espanhol, na última jornada, frente ao Barcelona -, colocou a equipa nos oitavos-de-final do Mundial, onde encontrará Colômbia ou Costa do Marfim.

Em relação à Itália, a segunda eliminação consecutiva do país na fase de grupos em Campeonatos do Mundo levou à dupla demissão do seleccionador Cesare Prandelli e do Presidente da Federação Italiana de futebol, Giancarlo Abate, após o final do encontro.

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