O Festival ao Largo presta tributo ao coro do São Carlos e a Elisabete Matos

Com um orçamento de 100 mil euros, o festival ao ar livre com espectáculos gratuitos quer continuar a conquistar públicos para o Teatro Nacional de São Carlos.

 Ricardo Brito
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Ricardo Brito

O Festival ao Largo homenageia, de 27 de Junho a 27 de Julho no Largo São Carlos em Lisboa, o Coro do Teatro Nacional Nacional São Carlos (TNSC), que comemora 70 anos, e Elisabete Matos, a cantora lírica portuguesa que conta 25 anos de carreira. Na sexta edição, o evento altera o seu nome para Festival ao Largo Millenium bcp, acentuando a participação do banco como mecenas.

Serão 12 espectáculos gratuitos diferentes em 18 noites durante um mês e quem fica com o concerto de abertura é o Coro do TNSC, na noite de 27 de Junho. Neste espectáculo, que se repete no dia seguinte, participa a mezzo soprano Fiorenza Cossotto, madrinha deste coro e que se apresentou no TNSC como solista por diversas vezes.

“Um dos maiores nomes do canto lírico do século XX e que vem a Portugal de propósito para esta inauguração”, disse na conferência de imprensa de apresentação do programa Adriano Jordão, programador do festival e membro do conselho de administração do Organismo de Produção Artística (Opart), que tutela o TNSC e os seus agrupamentos artísticos – Orquestra Sinfónica Portuguesa, Coro e Companhia Nacional de Bailado. Para os restantes concertos em que o Coro do TNSC participa foram escolhidas composições que dessem a este grupo um lugar de protagonista, disse Adriano Jordão.

A homenagem aos 25 anos de carreira de Elisabete Matos é feita nas noites de 18 e 19 de Julho com a soprano a cantar Verdi – a abertura de La Forza del Destino – e Puccini – excertos de Tosca, que Elisabete Matos apresentou no Metropolitan Opera House (MET) em Nova Iorque em Dezembro de 2013. A acompanhar a soprano estará o barítono russo Serguei Leiferkus – os dois encontram-se ainda este ano, no dia 11 de Julho, no Festival de Sintra para Noite em São Petersburgo, um espectáculo com cerca de 20 composições de Piotr Tchaikovsky e Serguei Rachmaninov.

Na sexta edição do festival organizado pelo Opart, o nome do evento passa a ser Festival ao Largo Millenium bcp. A participação do Millenium bcp no festival do Teatro São Carlos foi interrompida nas duas últimas edições – desde a primeira edição, em 2009, até 2011 este banco apoiava a iniciativa. Este ano, “houve uma procura mútua das duas entidades”, diz ao PÚBLICO José António Falcão, presidente do conselho de administração do Opart, que levou ao acordo entre o Opart e o Millenium bcp, assinado na conferência de imprensa desta terça-feira. Questionado pelo PÚBLICO sobre o peso do Millenium no orçamento do festival, João Pedro Consolado, da administração do Opart, não quis responder, adiantando apenas que o orçamento total é de 100 mil euros.

O objectivo é “racionalizar os gastos” de maneira a não ser necessário atingir este valor – o que João Pedro Consolado garante que vai acontecer. Para isso, a organização do Festival ao Largo Millenium bcp apostou fortemente nos recursos próprios – o Coro do Teatro Nacional São Carlos, a Companhia Nacional de Bailado e a Orquestra Sinfónica Portuguesa, por exemplo –, e em parcerias com outros festivais através de programação conjunta, como aconteceu com o Festival de Sintra ou o de Alcobaça, o Festival Cistermúsica.

Outras parcerias estabelecidas levam ao festival a Banda Sinfónica da Guarda Nacional Republicana, a 3 de Julho, a Orquestra de Sopros do Conservatório do Montijo, no dia 9, ou a Orquestra de Sopros da Escola de Música do Conservatório Nacional, a 17.

A Orquestra Chinesa de Macau volta depois da participação no Festival ao Largo em 2012 e desta vez convida a fadista Maria Ana Bobone para se juntar aos 34 músicos que tocam instrumentos tradicionais chineses. Sem querer revelar muito sobre este espectáculo, Adriano Jordão adiantou que haverá também coreografias tradicionais chinesas.

Como é hábito – aconteceu nas edições anteriores – a Companhia Nacional de Bailado encerra a programação, nas últimas três noites, apresentando Orfeu e Eurídice, uma coreografia de Olga Roriz e música de Christoph Willibald Gluck.

O festival continua a fazer dos espectáculos gratuitos e ao ar livre a sua característica principal e, ao sexto ano, “tem já uma dimensão muito própria na vida do Chiado”, disse José António Falcão, acrescentando que “há a estimativa de que cada 10 cêntimos investidos nesta iniciativa geram um retorno de 3,87 euros” para o comércio na zona do Largo de São Carlos.

De resto, “as apresentações culturais ao ar livre são aquelas que as famílias mais procuram actualmente”, até por uma questão de orçamento familiar, sublinhou Ricardo Valadares, da administração do Millenium bcp.

José António Falcão diz que este festival ainda é o principal anfitrião do TNSC e concretiza o desejo de quererem chegar cada vez mais a outros públicos. "Isso nota-se no aumento da procura de informação sobre os nossos espectáculos e sobre o teatro”, ao qual se podem fazer visitas guiadas disse ao PÚBLICO.