Crónica

A equipa dos coxos

Portugal está de parabéns pela qualidade do futebol que demonstrou durante os primeiros cinco minutos do jogo com os Estados Unidos, justamente coroado com um golo. Miguel Veloso fez um excelente passe para Cameron, que por sua vez fez uma grande assistência para Nani, e de dois actos falhados surgiu o primeiro golo da selecção nacional. É a magia do futebol.

Foram uns bons cinco minutos. Depois Portugal quebrou fisicamente. E vieram as lesões. Hélder Postiga desabou aos 13 minutos sem quase tocar na bola. André Almeida começou a coxear logo a seguir, e arrastou-se durante toda a primeira parte. Esta equipa deveria ser patrocinada por uma associação de fisioterapeutas. Nunca vi nada assim.

Dizer que Portugal está com problemas físicos é o mesmo que dizer que o Iraque está com problemas de insegurança. É um enorme eufemismo. Portugal ou joga a passo ou coxeia. Se as outras equipas não corressem, é possível que nós tivéssemos hipóteses. Mas como no futebol é preciso correr e mexer o rabo (não é, Bruno Alves?), o jogo foi-se tornando cada vez mais difícil e os golos americanos começaram a aparecer.

Durante todo o encontro só houve uma outra altura, para além dos primeiros cinco minutos, em que Portugal jogou bem. Foi após a inédita pausa para beber água na primeira parte. Aí a selecção fez mais uns bons cinco minutos e Nani ia marcando por duas vezes. Depois quebrou outra vez fisicamente. O que nos faltou, pelos vistos, foi isso: com 18 pausas para beber água, Portugal teria de certeza vencido o jogo.