Portuguesa Landka estreia novo jogo para iPad e quer repetir sucesso de Back in Time

Empresa sediada em Matosinhos aposta na área da educação. O primeiro produto contava a história do universo. Agora, querem pôr-nos a olhar para as estrelas.

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Em Kiwaka, os jogadores caçam pirilampos para iluminarem as estrelas e apreenderem sobre as constelações sobre DR
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Back in Time, um livro sobre a evolução do universo e da vida na Terra, teve grande sucesso DR

Chegaram em 2011. À moda de César, viram e venceram, com uma aplicação para iPad que juntava recursos multimédia, um relógio de ponteiros e a música de Rodrigo Leão, para nos mostrar a evolução do mundo como se o Big Bang tivesse sido há 24 horas. Depois dessa explosão chamada Back in Time, que os pôs a liderar a tabela de vendas da Appstore (a loja de aplicações da Apple) em 40 países, incluindo gigantes como os EUA, a China, ou o México, a portuguesa Landka volta a lançar-se no reino das aplicações educativas e lançou agora Kiwaka, um jogo para estimular o interesse pela astronomia. Com o apoio da Agência Espacial Europeia e do Observatório Europeu do Sul.

Para além da ESA e do OES, que forneceram imagens e gráficos sobre as constelações que povoam os nossos céus, há a música de David Ari Leon, compositor das bandas sonoras do último Homem-Aranha e do Incrível Hulk. E, no e-book que foi lançado em simultâneo, Kiwaka Story, a Landka apoiou-se em Diogo Morgado, que de hot Jesus, na série norte-americana O Filho de Deus, passa a narrador, em português e inglês, de uma lenda passada numa aldeia perdida (mas real) em África. Em Kiwaka acredita-se que os pirilampos carregam a luz das estrelas. E no jogo, na pele de um elefante, de uma serpente, de um pássaro ou de um crocodilo, o objectivo é capturar essa luz, iluminando, estrela a estrela, as constelações, de modo a podermos aprender os mitos que lhes estão associados, e as suas configurações no céu.

Como aconteceu com o livro electrónico Back in Time – ou por causa do sucesso de Back in Time, que em 2012 ganhou o primeiro prémio no World Summit Award na categoria "mobile learning and education" – a Apple está a destacar a entrada do novo jogo/livro nas suas lojas mais importantes. O que não deixa de ser, desde logo, um sinal da qualidade do trabalho feito pela equipa de dez programadores, animadores e designers que trabalham em Matosinhos a pensar, quase exclusivamente, no mercado mundial, onde têm 95% das vendas. O jogo das constelações compete com muitas das 30 mil aplicações lançadas mensalmente para o ambiente IOS, e a seu favor, explica Susana Landolt, da Landka, concorrem as “excelentes críticas junto da comunidade científica e educacional. Conseguimos o mais difícil, um jogo educacional que agrada quer a crianças quer a adultos”, considera.

O lançamento destes novos produtos – apps que permitiram à Lankda duplicar a equipa envolvida localmente nos seus projectos – ocorre num momento em que a empresa tem nas lojas vituais um jogo quebra-cabeças, o ThinkO, e ainda colhe os frutos de Back in Time. A CEO não revela números, mas explica que o livro sobre a história do universo, que custa 7 euros, está a ser fornecido a diversas escolas e universidades, sobretudo nos EUA e Austrália, que incluem tablets no seu plano de curso. "Infelizmente estes programas ainda não existem em Portugal, mas no dia em que existirem estaremos certamente presentes”, acredita Susana Landolt, administradora de uma empresa que aposta claramente na área da educação, muito disputada no mercado da programação.

Desde Back in Time o mercado das aplicações móveis “evoluiu muito, tornou-se maior, mais agressivo e fortemente competitivo. As assimetrias acentuaram-se: a diferença entre os custos de produção no Ocidente e no Oriente cresceu e a forte aposta das grandes empresas de entretenimento neste mercado alterou as regras; já não basta apenas ter um bom produto, é preciso ter um excelente produto e uma excelente campanha de marketing para a promover”, explica Susana Landolt, adiantando que o apoio do programa de internacionalização do QREN foi essencial para a promoção do jogo e do livro agora lançados. Que têm a seu favor também o facto de estarem disponíveis em oito línguas, entre elas o Mandarim e o Japonês.

Um entre milhões
Quando a Landka lançou o Back in Time, no final de Novembro de 2011, o contador de aplicações disponíveis na App Store marcava, para aquele mês, o número 430.362. No mês passado, o ecossistema criado pela Apple, que é o único para o qual a empresa de Matosinhos produz, tinha já 1.141.890 aplicações à venda, sendo que, destas, 217.119 eram jogos. Nem todos competem pela atenção que Kiwaka procura, tendo em conta o seu caracter mais educativo, mas o número dá uma ideia da oferta disponível, e para a qual Portugal tem um contributo ainda modesto, com a criação de algumas centenas de apps. Olhando apenas para o ambiente IOS, até 2 de Junho tinham sido feitos 75 mil milhões de downloads de todos os produtos disponíveis.