Administração do Hospital de S. João apoia demissões de directores, mas não diz se sai

Vaga de demissões de lideranças intermédias já foi comunicada à tutela, mas o Ministério da Saúde continua em silêncio.

A redução do horário de serviços prestados ao Hospital de São João será de dois terçosx
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A redução do horário de serviços prestados ao Hospital de São João será de dois terçosx Foto: Paulo Ricca / PÚBLICO

O Conselho de Administração (CA) do Centro Hospitalar de São João confirma a demissão de oito unidades intermédias de gestão e de 58 directores de serviços clínicos e não clínicos do centro hospitalar. Afirma que ”concorda com as razões apresentadas” e que “está solidário com as lideranças intermédias, tendo reportado esta situação á tutela”.

Horas depois de vários órgãos de comunicação social terem anunciado a demissão da administração e de todos os directores de serviços clínicos e de todas as direcções de departamento, a administração do Centro Hospitalar de São João confirma todas estas demissões, mas não esclarece se também vai abandonar o cargo.

O comunicado precisa que "os responsáveis pelas oito unidades intermédias de gestão do Centro Hospitalar de São João (Unidades Autónomas de Gestão de Medicina, de Cirurgia e de Urgência e Medicina Intensiva, Centros Autónomos de Medicina Laboratorial e de Imagiologia, Clínica da Mulher, Clínica de Psiquiatria e Saúde Mental e Hospital Pediátrico Integrado) e os 58 directores de Serviços clínicos e não clínicos decidiram, em reunião efectuada na manhã do dia 19 de Junho, apresentar o seu pedido de demissão".

Segundo a administração, as razões desta demissão em bloco, que ocorreu numa reunião realizada esta quinta-feira de manhã, relacionam-se com o facto de "a qualidade na prestação de cuidados de saúde à população estar em risco", com "a desvalorização do Centro Hospitalar de São João e da sua missão no contexto da região e do país" e com "a impossibilidade da implementação do desenvolvimento estratégico do Centro Hospitalar de São João".

Como motivo para a saída em bloco dos dirigentes é também apontando o "impedimento da acção gestionária do Conselho de Administração e das estruturas intermédias de gestão do Centro Hospitalar, por via da centralização administrativa, no que concerne a políticas de recursos humanos, investimentos, manutenção estrutural, infra-estrutural e de equipamentos e compras, que afectará gravemente a prossecução da sua missão e a actividade assistencial, apesar de, reiteradamente, o Centro Hospitalar de São João apresentar resultados económico-financeiros positivos e resultados clínicos e assistenciais ao nível dos melhores da Península Ibérica".

O Ministério da Saúde continua em silêncio, embora tenha já informado que vai tomar uma posição sobre esta vaga de demissões.