Exame Nacional de Português leva 74 mil alunos à escola

A Associação de Professores de Português elogiou esta terça a-feira a prova nacional do 9.º ano, mas não arriscou sossegar os cerca de 74 mil estudantes inscritos para o mais concorrido dos exames do secundário, que se realiza nesta quarta. Só na sala de exame os alunos vão descobrir o que lhes será exigido em relação à matéria do 11.º ano.

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Rui Gaudêncio

Há um ano, a direcção da APP foi muito crítica em relação a todas as provas realizadas pelo Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), e os resultados, conhecidos semanas depois, confirmaram os piores cenários. No 4.º ano a média das classificações do primeiro exame nacional foi negativa (48,7%); a das provas do 6º ano ficou-se pelos 52%; a do 9.º bateu o recorde, com 47 por cento %; e a do 12º igualou o pior resultado de sempre: 8,9 valores, numa escala de 0 a 20.

Este ano, mais uma vez, os prognósticos da APP confirmaram-se, mas de forma positiva. Nas provas do 4.º ano, a média saltou da negativa para uns confortáveis 62,2%, e no do 6.º a subida foi de 52% para 57,9%.

Nesta quarta-feira, Edviges Ferreira disse-se convicta de que também se registará uma melhoria nas notas das provas do 9º ano (que serão conhecidas no dia 14 de Julho). “Agora, sim, se as classificações não subirem [em relação a 2013] será preocupante”, disse a professora, que há um ano, depois de criticar severamente o exame do 9º ano, considerou que a qualidade de ensino e de aprendizagem não poderia “ser medida pelos resultados” daquele exame.

A novidade de a prova realizada esta terça-feira não incluir qualquer pergunta sobre Os Lusíadas, de Luís de Camões, ou O Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, “não choca” a dirigente da APP, apesar de aqueles conteúdos "terem ocupado docentes e alunos durante a maior parte do ano lectivo”. “Pode ser um bocadinho frustrante para os professores, mas é muito mais importante a coerência da prova, a sua adequação ao programa e o facto de as perguntas estarem formuladas em termos adequados à faixa etária”, frisou. A presidente da APP escusou-se, no entanto, a concluir que a sequência de provas de qualidade no ensino básico (4º, 6º e 9º anos) signifique que a do 12º ano, marcada esta quarta-feira, tenha as mesmas características. “Naturalmente, desejo que sim. Mas falamos depois do exame”, disse.

A seu favor, os alunos do 12.º ano têm a ausência de perturbações externas. Em 2013, uma parte significativa dos estudantes não conseguiu fazer o exame, devido à greve de professores, e o Ministério da Educação e Ciência teve de realizar uma segunda prova, ainda na 1ª fase. O que coloca em desvantagem os alunos que hoje fazem exame  em relação aos colegas que fizeram Português no ano passado é o facto de pela primeira vez, desde 2007, aquele não incidir apenas sobre os conteúdos programáticos do último ano do secundário. Este ano, já são abrangidos os do 11.º ano e em 2015 os dos três anos.

Professores, pais e alunos têm mostrado alguma preocupação com esta mudança (que se aplica também a Matemática, História e Desenho). No caso de Português, o número de obras literárias que os alunos tiveram de estudar aumentou consideravelmente.

Aqueles que não quiserem perder os quatro valores (em vinte) destinados aos conteúdos do 11.º, têm de fazer mais, esta quarta-feira, do que dominar a poesia de Fernando Pessoa (ortónimo e heterónimos), a obra Mensagem, do mesmo poeta, Os Lusíadas, de Camões, a peça de teatro Felizmente há Luar, de Sttau Monteiro e o livro Memorial do Convento, de Saramago. Quando entrarem nas salas de aula, na manhã desta quarta-feira, deverão ter revisto, também, obras como Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett, Sermão de Santo António aos Peixes, de padre António Vieira, Os Maias, de Eça de Queirós e a poesia de Cesário Verde. Isto para além da gramática leccionada nos últimos dois anos.

O grau de profundidade de conhecimentos que será exigido no caso da matéria que foi leccionada no 11.º é um dos aspectos que preocupam alunos e professores ouvidos pelo PÚBLICO. A falta de referências em relação ao novo modelo de exames, para além de um único teste intermédio, também não os sossega.

Este é, contudo, apenas um dos exames exigidos para a conclusão do secundário e, nalguns casos, para o acesso ao ensino superior. A primeira fase de exames, que decorre até dia 27 de Junho, abriu nesta terça-feira, com a prova de Filosofia, que a associação de professores da disciplina e a respectiva sociedade científica consideraram adequada e equilibrada.

O exame de Filosofia foi feito por perto de 11 mil alunos. Para a prova de Português desta quarta-feira estão inscritos mais de 74 mil estudantes e serão muitos, também, os que quinta-feira vão fazer outro dos exames mais concorridos, o de Física e Química A, para o qual se inscreveram quase 55 mil alunos.

Ficam para a próxima semana dois dos exames decisivos para os estudantes que querem ingressar em cursos superiores da área da saúde: Biologia e Geologia (marcado para dia 25 e com 55 mil inscritos) e o de Matemática A, que deverá feito no dia 26 por 50 mil estudantes.

No total, serão feitos 346 mil exames nacionais, segundo os dados divulgados pelo Ministério da Educação e Ciência. Quase metade (49%) dos 158.566 examinandos (contra 159.153 no ano passado) está em cursos secundários da área das Ciências e Tecnologias. Em segundo lugar aparecem as Línguas e Humanidades — 20% dos alunos que vão a exame são desta área.

O número absoluto de alunos que mostram vontade de prosseguir estudos baixou de cerca de 91.500, no ano passado, para 88.400, este ano. Ainda assim, os que pretendem entrar numa universidade ou politécnico são mais de metade (56%) dos que se inscreveram para fazer as provas nacionais.

Os resultados da 1.ª fase de exames serão conhecidos a 11 de Julho e a 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao superior decorre entre o dia 17 do mesmo mês e 8 de Agosto. Será nessa altura que estará em jogo o maior número de vagas no ensino público. A 8 de Setembro haverá resultados das colocações.