Cautela e pouca inspiração ditam primeiro empate do Mundial

Estratégia de segurança defensiva preconizada por Carlos Queiroz resultou em pleno. Frente a uma Nigéria amorfa, a melhor oportunidade até foi do Irão

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Carlos Queiroz foi o primeiro treinador português a conquistar pontos no Mundial 2014 Ivan Alvarado/Reuters

Goradas as expectativas de ver Portugal fazer a festa no dia em que a selecção nacional se estreou no Mundial, recaía sobre Carlos Queiroz a única hipótese de restar alguma alegria lusitana no quinto dia da prova no Brasil. Só que, se o técnico se pode regozijar pelo facto de o Irão ter cumprido de forma exemplar a nível defensivo, ficou a sensação de que, face a uma Nigéria que não atendeu às expectativas, a sua equipa poderia ter conseguido mais do que um empate sem golos.

Sabendo de antemão que haveria uma série de factores a jogar contra si – o Irão não só não tem nas suas fileiras grandes nomes do futebol internacional como não teve a preparação mais adequada para a prova, como o técnico português fez questão de lamentar oportunamente -, o treinador português optou por fazer valer toda a experiência que os seus 61 anos lhe conferem.

Com uma equipa teoricamente inferior à Nigéria, no que aos valores individuais diz respeito, o antigo seleccionador da equipa das quinas optou por uma abordagem cautelosa, cedendo, durante grande parte do primeiro tempo, a posse de bola ao adversário. Só que se esta opção estratégica permitiria, em teoria, às “Super Águias” assumir o controlo do jogo, a verdade é que a equipa comandada por Stephen Keshi teve sérias dificuldades em fazer valer a sua alegada superioridade: em parte, porque a equipa orientada por Carlos Queiroz foi extremamente competente na missão de manter a solidez defensiva e impedir os nigerianos de chegarem com perigo à baliza de Haghighi (guarda-redes do Rubin Kazan que, durante a última temporada, defendeu as cores do Covilhã); em parte, porque a suposta maior capacidade dos africanos, que chegam ao Brasil como campeões continentais, raramente se fez ver no relvado.

A única excepção aconteceu aos oito minutos de jogo, quando Musa surgiu em boa posição para fazer golo, mas Pooladi conseguiria antecipar-se na hora H. Na ressaca do lance, Onazi não conseguiu melhor do que atirar ao lado. Curiosamente, a melhor oportunidade da primeira parte acabaria por pertencer ao Irão: na sequência de um pontapé de canto, Ghoochannejhad cabeceia com perigo mas Enyeama consegue manter a bola longe das redes.

Mesmo em cima do intervalo, os nigerianos ainda reclamaram grande penalidade, por alegada mão na bola de Sadeghi, mas as queixas não foram atendidas e o jogo chegou mesmo ao intervalo com um nulo no marcador, que fazia jus ao fraco espectáculo que se viu durante um primeiro tempo em que houve apenas seis remates.

Com o reatamento, esperou-se que as equipas arriscassem um pouco mais, até porque uma vitória no jogo inaugural do grupo poderia ser um passo de gigante para aspirar ao segundo lugar da "poule" e à consequente passagem aos oitavos-de-final. Em vão. Se a qualidade de jogo já tinha deixado muito a desejar durante o primeiro período, com o desgaste e o cansaço que os jogadores foram acumulando, o cenário só piorou – o facto de a única oportunidade de golo ter surgido já em tempo de compensação, quando Ameobi cabeceou com perigo, na sequência de um canto prova isso mesmo.

No final, tudo a zeros, naquele que foi o primeiro empate deste Mundial. Carlos Queiroz, esse, voltou a estrear-se com um empate sem golos, depois de em 2010, ao comando da selecção nacional, ter começado com um nulo frente à Costa do Marfim.

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