O árbitro não ajudou? Pois não. A selecção muito menos

2. Nesta estreia no Mundial 2014, a dependência da selecção em relação a Cristiano Ronaldo foi doentia. Ter um dos melhores jogadores do mundo pode (e deve) ser uma vantagem. É até natural que se peça que ele apareça nos momentos decisivos. O que não pode acontecer é que os colegas de equipa dêem razão às piadas que circulam na Internet, dizendo que a táctica de Portugal é passar a bola a Ronaldo e esperar que ele marque. Mas foi isso que pareceu quando Nani e Coentrão, em dois lances, se mostraram mais preocupados em passar a bola a Ronaldo do que em acertar na baliza alemã. Esta fixação em Ronaldo é ainda menos inteligente numa altura em que o jogador do Real Madrid está longe da sua melhor condição física.

3. Frente à Alemanha, Portugal perdeu mais do que um jogo. Perder três pontos frente aos germânicos, um dos grandes favoritos à vitória, até seria normal. Mas uma derrota por 4-0 é dolorosa do ponto de vista matemático, porque a diferença de golos nos jogos do grupo é o segundo critério de desempate, a seguir aos pontos. Ou seja, Portugal está obrigado a vencer os próximos dois jogos.

A goleada é igualmente dolorosa do ponto de vista emocional. Paulo Bento terá trabalho a dobrar na preparação para o jogo de domingo com os Estados Unidos, até porque a confiança é um factor preponderante em qualquer competição. Mais ainda numa prova curta como um Mundial.

Além do resultado, Portugal perdeu ainda três jogadores para o próximo jogo: Pepe (expulso) e Coentrão e Hugo Almeida (por lesão). O caso de Coentrão é claramente o mais grave, até porque não há outro do lateral-esquerdo de raiz na equipa, muito menos com intensidade do jogador do Real Madrid, que seria muito útil em jogos em que Portugal terá de atacar e marcar.

E como se não bastassem as lesões e castigos, Paulo Bento tem ainda de injectar ânimo e força num meio-campo que não funcionou, numa defesa (guarda-redes incluído) que acumulou falhas e num ataque perdulário, em que Nani foi o único jogador que mostrou alguma rotação.

4. Por muito que nos custe ver jogos do Mundial às onze da noite ou de madrugada, há que dizer que é um absurdo que algumas partidas no Brasil se realizem às 13h locais, de forma a serem transmitidos na Europa em horários decentes. Este comentário, porém, não deve servir de desculpa para a derrota portuguesa. Os jogadores de Paulo Bento pareceram cansados, como se o calor e a humidade os tivessem derretido. Já os alemães pareciam alfaces frescas. Em condições iguais para as duas equipas, a selecção portuguesa correu menos dez quilómetros (111,7 contra 101,9) do que a alemã, sendo obviamente prejudicada pela expulsão de Pepe. Mas mais do que correr menos, a selecção portuguesa correu pior (e jogou pior) do que o adversário.