"Um treino" contra o nervosismo que os alunos universitários agradecem

Para os estudantes que estão no primeiro ano do ensino superior a dificuldade das provas do 12º ano é inferior àquilo que encontram na licenciatura.

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“À medida que nos exigem mais no secundário, melhor se torna o efeito para a etapa universitária” Daniel Rocha

Ana Isabel é aluna da faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Entrou no curso que teve a média de acesso mais alta do ensino superior no último ano (18,1 valores) e sabia, à partida para os exames nacionais, que as suas notas tinham que ser altas para cumprir esse objectivo. Conseguiu: ficou cinco décimas acima do valor de referência. Mas esse obstáculo parece longínquo quando se põe a comparar o que sentia há um ano e aquilo que tem vivido ao longo da primeira etapa do seu percurso universitário. Não tem dúvidas: vai "mais nervosa" para os exames finais de cada cadeira do seu curso superior.

Ter passado pela experiência dos exames nacionais é, para Ana Isabel, algo positivo. No fundo, as provas finais do 12º ano foram "um bom treino" para o que lhe estava reservado na universidade. "Apesar de serem níveis de dificuldade diferentes, não deixam de ter sido preparações sobre como lidar com o stress e mesmo como organizar o estudo", reconhece.

A ideia de que os exames nacionais foram uma preparação para as frequências e exames universitários é comum a todos os alunos do primeiro ano do ensino superior com quem o PÚBLICO falou ao longo das últimas semanas. A pressão e o nível de preparação para as provas do 12.º ano estabeleceram um padrão que agora parece estar num nível inferior quando se tem pela frente matérias mais difíceis e testes que exigem um outro tipo de concentração. "À medida que nos exigem mais no secundário, melhor se torna o efeito para a etapa universitária", considera Diana Meira.

Ela é aluna de Educação na Universidade do Minho e já conhecia do ensino superior parte das disciplinas que fazem parte do seu currículo, como Sociologia e Filosofia. Os conteúdos agora é que são diferentes. "Subiu um pouco o grau de dificuldade", mas isso "era de esperar". "Os exames do 12.º ano possibilitaram lidar melhor com a pressão existente agora", concorda Cátia Silva que, como Diana, é aluna da Universidade do Minho, mas frequenta o curso de Educação Básica.

Há outra ideia que é partilhada por todos estes estudantes: hoje vão mais nervosos para as provas do que no ensino secundário. "Sem dúvida alguma", sublinha Diana Meira. A pressão acentua-se para quem, como esta estudante de Educação, é bolseira de acção social. Esse apoio "é um incentivo extra para que estude ainda mais" para garantir o nível de sucesso que permita manter a bolsa.

Só Catarina Silva, inscrita em Ciências Farmacêuticas na Universidade da Beira Interior, tem dificuldades em comparar exames nacionais e frequências na universidade. "Acho que vou igualmente nervosa para os dois", conta. Nos exames, o nervosismo deve-se à vontade de entrar na universidade, na universidade com o medo de deixar as cadeiras por fazer. Mas, na prática, as duas formas de avaliação são bem diferentes. "Os exames nacionais têm muita matéria, mas muitas perguntas não implicam que se estude muito, mas que se compreenda o que se pede", defende. Nas frequências, a matéria é muito mais reduzida, mas o grau de complexidade dos conceitos é maior.

Esta percepção varia de curso para curso. Em Medicina, Ana Isabel Macedo encontra uma quantidade de matéria "muito maior" em cada prova. Os exames da faculdade "implicam um estudo muito mais exaustivo", defende. Mas, em Educação, Diana Meira tem um pensamento alinhado com este. As perguntas das frequências exigem que relacione as matérias leccionadas. "Enquanto no secundário era tudo mais específico e de decorar", na universidade isso não acontece. "Tem de haver comparação de matérias e conseguir interligá-las umas com as outras".