António Galamba desafia António Costa a aceitar participar em debates

Dirigente socialista afecto a Seguro lembra que que "o partido já decidiu" pela realização de primárias e que "não há congressos extraordinários electivos".

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Daniel Rocha

O secretário nacional do PS António Galamba acusou nesta sexta-feira o candidato à liderança do PS António Costa de ter os seus apoiantes a usar de "expedientes estatutários" nas federações e desafiou-o a aceitar participar em debates.

"Ouvimos António Costa na Feira Nacional da Agricultura - onde, aliás, o secretário-geral tem ido sempre desde que foi eleito em 2011 -, dizer que não se dedica a questões estatutárias, como se os seus apoiantes não estivessem nas federações a usar expedientes estatutários para desvalorizar as primárias, que já estão marcadas para o dia 28 de setembro", afirmou à Lusa António Galamba. "O pior da política é a hipocrisia e o cinismo", declarou.

O dirigente socialista, apoiante de António José Seguro, disse que se António Costa "tem tanta pressa, podia começar por aceitar convites que já foram feitos para debates". "Não sei qual é o receio do doutor António Costa de debater as suas propostas, que diz alternativas em relação à linha política que tem vindo a ser concretizada", desafiou.

António Galamba sublinhou que "o partido já decidiu" pela realização de primárias e que "não há congressos extraordinários electivos". O dirigente nacional do PS apontou como exemplo dos "expedientes" usados pelos apoiantes do presidente da Câmara de Lisboa nas federações a moção pela realização de um congresso e de eleições directas apresentada na federação de Setúbal por apoiantes de Costa e que foi chumbada na madrugada desta sexta-feira.

Galamba disse, contudo, ainda não ter tido conhecimento de um parecer do conselho de jurisdição do partido que, segundo avançou o jornal online Observador, concluiu que, pela análise dos estatutos, um congresso extraordinário não pode ser electivo e que um líder eleito em directas, como Seguro, tem legitimidade própria, não podendo ser destituído por qualquer órgão do partido.

Esta foi, aliás, a argumentação utilizada nesta quinta-feira pelo secretário nacional e coordenador do PS para a organização interna, Miguel Laranjeiro, para desvalorizar o abaixo-assinado subscrito por 45 dos 74 deputados socialistas a favor de uma clarificação rápida da situação no partido quanto à liderança nacional e da realização de um congresso extraordinário. Em declarações à SIC, Miguel Laranjeiro recordou que o que foi aprovado nas últimas reuniões do conselho nacional e da comissão política nacional, "inclusivamente com os votos de António Costa e dos seus apoiantes" foi a realização de primárias a 28 de Setembro. E desafiou os deputados do PS a concentrarem-se, sobretudo, na oposição ao Governo e às medidas de aumento de impostos de que se acabara de falar no Parlamento.