Notas dos 4.º e 6.º anos subiram a Português e desceram a Matemática

Os alunos do 4.º ano fizeram subir a classificação média de Português de 48,7% para 62,2%. No 6º ano, o destaque vai para a única classificação média negativa nos exames do 1.º e 2.º ciclos, que se registou a Matemática.

Rui Gaudêncio
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Rui Gaudêncio

Os cerca de 220 mil alunos do 4.º e do 6.º ano que no mês passado fizeram provas nacionais saíram-se melhor a Português do que a Matemática. No caso das crianças mais novas, a classificação média na prova da língua materna saltou da negativa (48,7%) para uns confortáveis 62,2%. No 6.º ano, o destaque vai para as notas de Matemática, que continuam a baixar: mais de metade dos finalistas do 2.º ciclo não chegaram à positiva e a classificação média nacional afundou-se um pouco mais, para os 47,3%.

Os resultados globais foram divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), que em comunicado destaca “a melhoria considerável na disciplina de Português do 1.º ciclo” e a “ligeira melhoria” (de 52% para 57,9%) dos resultados na prova na mesma disciplina feita pelos alunos do 6.º ano.

A variação da classificação média registada a Matemática (de 56,9% para 56,1% no 4.º ano e de 49% para 47,3% no 6.º) é desvalorizada. “Não se observaram alterações assinaláveis nos resultados médios dos dois anos”, regista o IAVE, comparando os resultados de 2014 com os 2013. Em relação a 2012, no entanto, a queda é significativa. Nesse ano, a média dos resultados dos exames de 6.º ano foi de 54% naquela disciplina.

O IAVE remete para mais tarde a análise detalhada dos resultados por tema (em Matemática) e por domínio (em Português). Para já, revela apenas que 81% dos alunos do 1.º ciclo e 75% dos do 2.º ciclo tiveram uma classificação igual ou superior a 3, a Português. Nas provas de Matemática tiveram positiva 64% dos estudantes do 1.º ciclo e 46% dos alunos do 6.º ano. No dia da realização das provas, a Associação Nacional de Professores de Matemática (APM) alertou para a complexidade dos exames daquela disciplina, mas a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) considerou-os adequados. Em relação ao exame do 6.º ano, a SPM considerou, mesmo, que “cerca de 60% da prova” consistia “em questões acessíveis a qualquer aluno em condições de transitar para o 3.º ciclo” e disse esperar uma “evolução positiva” dos resultados em relação aos de 2013.

Já a APM avaliou de forma negativa a prova final do 2.º ciclo. A associação disse ter detectado um “significativo número de questões cuja resolução exigia vários raciocínios, até em questões de escolha múltipla”, e criticou o “excessivo peso dado ao cálculo” (cerca de três quartos da prova, referiu).

O MEC recordou esta quinta-feira, através do gabinete de imprensa, que os alunos que não obtiverem aprovação final numa ou nas duas disciplinas em que fizeram provas, têm direito a um acompanhamento extraordinário, da responsabilidade da própria escola, e a uma segunda oportunidade de fazer as provas. O acesso a este apoio, que este ano abrange, pela primeira vez, os alunos do 6.º ano, depende apenas da autorização dos encarregados de educação.

Esta quinta-feira o MEC voltou a sublinhar as vantagens desta medida de promoção do sucesso escolar que no ano passado terá permitido salvar da retenção 652 alunos do 4.º ano, que passaram na segunda fase de exames. Os representantes das associações de dirigentes escolares e da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), no entanto, mostram-se menos entusiasmados. Questionam as vantagens do período de acompanhamento extraordinário, que está na origem da antecipação das provas para Maio, e defendem a alteração da proposta de calendário escolar para 2015, de maneira a adiar os exames dos 4.º e do 6.º anos para depois do termo das actividades lectivas.

“Devemos aprender com os erros”, disse Filinto Lima, dirigente da Associação Nacional de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), dias depois de muitas escolas terem interrompido as actividades lectivas dos alunos dos 5.º, 7.º, 8.º e 9.º anos, para a realização das provas finais das crianças dos 4.º e 6.º. Na mesma ocasião, Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), criticou a perturbação causada pela decisão do Governo de conceder dois dias de dispensa das actividades lectivas aos professores correctores dos exames, que tiveram de ser substituídos por outros, às vezes de disciplinas diferentes, nas salas de aula.

Manuel Pereira e Filinto Lima questionaram ainda a “eficácia real de três semanas” de acompanhamento extraordinário dos alunos. Também Isabel Gregório, presidente da CNIPE, defendeu que os alunos teriam a ganhar com o facto de as aulas “decorrerem naturalmente, com tranquilidade e sem interrupções, até ao fim do ano lectivo” e que o apoio deverá ser dado “durante e depois das aulas, consoante as necessidades de cada criança”.

Os exames da 2.º fase de Português e Matemática realizam-se a 9 e 14 de Julho, respectivamente.