Livro Vermelho das espécies faz 50 anos e alerta para o risco de extinção

Há 22.103 espécies em risco de extinção, segundo o Livro Vermelho das espécies de 2014 da União Internacional para a Conservação da Natureza. Orquídeas e lémures são dois grupos muito ameaçados.

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O lémur Indri indri está em perigo crítico Nick Garbutt
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Existem menos de 100 indivíduos da orquídea Cypripedium lentiginosum, que está em perigo EchinoMedia
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A enguia Anguilla japonica OpenCage
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A orquídea Cypripedium californicum está em perigo Bill Bouton
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O peixe endémicos de Israel Acanthobrama telavivensis, uma espécie vulnerável, foi recuperado da extinção graças a um programa de conservação Menachem Goren
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O tatu brasileiro e a mascote do Mundial de futebol de 2014, Tolypeutes tricinctus, é também uma espécie em risco de extinção Joares Adenilson May Júnior

Restam menos de 100 orquídeas Cypripedium lentiginosum. A desflorestação no Sudeste asiático e a recolha indiscriminada desta espécie acabaram por reduzi-la à província de Yunnan, no Sul da China, e à de Ha Giang, no Norte do Vietname. A ideia de um tão pequeno número de indivíduos, perante os imponderáveis que acontecem, cristaliza a sensação de fragilidade que a biodiversidade na Terra vive, onde uma espécie que existe hoje pode desaparecer amanhã.

Esta orquídea é apenas uma das 22.103 espécies em risco de extinção, segundo a actualização do Livro Vermelho das espécies de 2014 feita pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), avança um comunicado que assinala ainda o meio século de vida deste livro. “Ao longo dos últimos 50 anos, o Livro Vermelho guiou a conservação — foram muito poucas as acções positivas de conservação que não começaram a partir do Livro Vermelho”, disse Julia Marton-Lefèvre, directora-geral da IUCN. “Este sucesso não é pequeno, mas há muito por fazer. Temos de expandir mais o conhecimento sobre as espécies para compreender melhor os desafios que enfrentamos, definir as prioridades globais de conservação e pôr em andamento acções concretas para travar a crise da biodiversidade”, disse, no comunicado da IUCN. Até 2020, a IUCN quer avaliar 160.000 espécies. O livro actualizado avaliou 73.686 espécies, mais 2110 do que a versão do ano anterior. Do número total, 30% está em risco de extinção, 812 estão extintas, 68 estão extintas no habitat natural. O feto Diplazium laffanianum, que vivia em grutas das Bermudas, foi agora considerado extinto no habitat natural. Em relação a 12.176 espécies (16,5% do total), a IUCN não obteve informação suficiente para avaliar.A IUCN tem três categorias de espécies em risco de extinção: perigo crítico, em perigo e vulnerável. E duas para as que estão fora de perigo: quase ameaçado e pouco preocupante. A Cypripedium lentiginosum pertence à subfamília de orquídeas Cypripedioideae, que tem 79% das espécies em risco de extinção. Os lémures, primatas de Madagáscar, são outro grupo numa situação preocupante, com 94% de espécies em risco de extinção.A enguia-japonesa (Anguilla japonica) foi agora colocada em risco de extinção, devido à caça, à perda de habitat e à poluição. “Apesar do estado de grande preocupação desta espécie, a sua avaliação e a de outras enguias é um passo positivo”, disse Matthew Gollock em comunicado, que está à frente do grupo da IUCN que avalia as enguias. “Esta informação vai permitir definir prioridades para a conservação mais alargada das espécies de enguias e dos ecossistemas de água doce.”Mas há boas notícias. O peixe fluvial Acanthobrama telavivensis, endémico de Israel, passou de extinto na natureza para vulnerável graças à sua conservação. Os últimos 120 indivíduos foram retirados do rio para tanques da Universidade de Telavive. Lá, os peixes reproduziram-se e em 2006 foram libertados 9000 indivíduos nos rios. Oito anos depois, a população continua a crescer.