Crítica

A Mamã, os Rapazes e Eu

Sensação no box-office francês, grande vencedor dos últimos Césares, A Mamã, os Rapazes e Eu é a estreia na realização do actor Guillaume Galienne, também protagonista (em dose dupla: ele é “Guillaume” e faz também o papel da mãe de “Guillaume”), com argumento baseado num one man show que apresentou nos palcos, por sua vez directamente baseado na sua autobiografia. Alguma crítica francesa, incluindo a mais insuspeita de populismo acéfalo, tem elogiado o filme, convocando tudo o que é da tradição da comédia cinematográfica francesa (de Guitry a Louis de Funès), e salientando a sofisticação com que Galienne trata a questão do “género” (sexual) para chegar a um filme “politico” sobre a homofobia (porque, entre outras coisas, o Guillaume-personagem gosta de se vestir de menina, o que faz toda a gente pressupor, vá-se lá saber porquê, que é homossexual). Longe de nós pôr isso em causa, é algo que estará com certeza muito certo. Mas sucede que A Mamã, os Rapazes e Eu é também histérico, grotesco, totalmente dependente das momices de Galienne, e pouco menos que nulo do ponto de vista do trabalho da mise en scène (nem pela “transgressão”: nada a ver com aquelas primeiras e muito underground comédias “de género” de Almodóvar, com que também já foi comparado). Isto mata o interesse que pudesse haver - no texto, essencialmente - e em vez de fazer rir, ou pensar, limita-se a cansar.