Opinião

Onde estão os observadores da ONU?

1. No princípio eram oito. Vai daí, um juntou-se a outro e ficaram sete. De seguida, outro foi anexado por outro e ficaram 6. Entretanto, um reuniu com outro e ficaram felizes para sempre. E ficaram 5. Saudades de casa ditaram que outro se juntasse a outro e temos 4. Mais eis que outro, ainda uma vez mais, procurou abrigo junto de outro. E restaram 3. E, no dia e hora aprazados, apareceram, não 3, mas 4 candidaturas. Quatro? Devo ter-me enganado nas contas e nas uniões. Não é fácil, porém, fazer estas contas de candidatos a umas eleições a uma organização desportiva no mundo do futebol profissional em Portugal.

2. Quatro candidaturas entregues por três candidatos? Confesso que a minha primeira impressão foi a de que um deles teria usado de excesso de zelo tal a relevância do acto. Na verdade, à cautela, e num excesso de mania de verificação – manifestação compulsiva -, terá a certa altura do dia começado a colocar em causa – para si próprio – se teria efectivamente efectuado a primeira entrega da candidatura. Vai daí, na dúvida (que intrusamente lhe tinha ocupado o cérebro e que do mesmo teimava a ser erradicada), o melhor mesmo era rumar à sede da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) e entregar uma segunda vez. Fontes que contactei chegaram a afirmar – com toda a segurança – que não fosse a LPFP ter fechado a sua sede, o candidato teria ido lá uma terceira vez, após jantar – não fosse o diabo tecê-las – para entregar a sua candidatura.

3. Contudo, o noticiário de sexta-feira – momento em que alinho estas palavras – apontava noutra direcção. Com efeito, um dos candidatos que se anexou a um candidato, veio afirmar que foi traído por este último. Disse o traído: “"O Dr. Fernando Seara andou a fazer dois caminhos. Eu entendo este presente acto como um acto de profunda traição a várias pessoas. Não foi só ao Rui Rangel, foi a cerca de 40 pessoas que trabalharam nesta solução e a vários clubes que subscreveram esta candidatura. Andar a fazer outra lista com outras pessoas foi um caso de profunda desonestidade intelectual e de falta de integridade". Disse o “traidor” (também traído): “Foi entregue uma lista, em meu nome, pela qual não sou responsável. Sinto-me traído por quem se sentou ao meu lado e, publicamente, manifestou o apoio à minha candidatura, garantindo não estar interessado em lugares ou em protagonismo”.

4. Dois dias antes (como nos filmes), das notícias: “Fernando Seara fala em "unir, credibilizar, pacificar e dar sustentabilidade" à Liga e em "não entrar em rota de colisão com os clubes e a Federação", garantido que Rui Rangel terá "uma voz importante" no futuro do futebol português, Fernando Seara não vê inconvenientes no facto de ambos serem benfiquistas. Ainda das notícias: “Juiz desembargador abdicou de avançar com uma candidatura e uniu-se a Seara para, juntos, criarem uma liga "coesa e sustentável"; "Foi possível fundir os princípios de duas listas com ideias, estratégias e programas comuns. Pretendemos uma Liga forte, coesa, sustentável financeiramente e credível, sem estar em rota de colisão com a FPF", sublinhou o “traído”. E o “traidor” (traído):"Ninguém anda à procura de cargos. Não nos movemos por cargos, mas sim por princípios e estratégias."

5. Sinceramente, caro leitor, eu creio que é mais verosímil a minha primeira impressão. [email protected]

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