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Chancha Via Circuito está de regresso e isso é um Baile Tropicante

Chancha Via Circuito, ou seja, o argentino Pedro Canales, regressa para actuar no 2. aniversário do Baile Tropicante, as sessões que enchem mensalmente o Musicbox de calor latino-americano. Canales apresentará um novo álbum, Amansará, sucessor do fascinante Rio Arriba .

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Chancha Via Circuito
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O anfitrião Pedro La Flama Blanca

Cumpre este sábado dois anos. Há um par de anos que Pedro Azevedo programa no Musicbox as noites Baile Tropicante . Nelas propôs-se revelar uma nova América Latina, aquela em que os ritmos de cumbia e outras tradições locais submergem no mundo digital e ressurgem, renovadas, na pista de dança. Pedro Azevedo é também Flama Blanca, anfitrião obrigatório das sessões e DJ, entusiasta como poucos, do calor latino que mensalmente aquece o clube no Cais do Sodré, em Lisboa.

Há precisamente dois anos, dizíamos, que provamos o sabor tropicante no Musicbox. Para a comemoração da data, dificilmente o anfitrião Pedro “Flama Blanca” Azevedo poderia ter escolhido melhor convidado. Este sábado, 7 de Junho, vamos conhecer o futuro que Chancha Via Circuito, ou seja, o argentino Pedro Canales, está a preparar para nosso prazer.

Quando Rio Arriba chegou, em 2011, abriu-se uma porta. Ali dentro, revelava-se um outro mundo. Pedaços de tradição, com a força da voz da tradição, elevados à estratosfera, decantados com amor e precisão em circuitos electrónicos, e enxertados de hip hop ou reverberações dub. Rio Arriba, de Chancha Via Circuito, obra do argentino Pedro Canales, foi fruto de uma viagem a dois tempos. A viagem desde os subúrbios em que vivia até ao centro de Buenos Aires, onde fervilhava numa série de clubes uma nova forma de cumbia ("cumbia digital", chamaram-lhe). E a viagem que, depois de se integrar nessa comunidade, fez pela Argentina rural, pela Colômbia ou pelo Chile, procurando pessoas, histórias e música que pudessem enriquecer com nova vida, outra vida, a sua visão musical.

Rio Arriba foi o resultado e não podia ser mais inspirado e feliz este cruzamento de tempos e de lugares (o presente e o passado da tradição; a vida rápida, efervescente e hedonista da cidade, e a passada lenta, reflexiva, do ambiente rural). Para comprová-lo, basta, aliás, ouvir a tão magnífica quanto respeitosa releitura que faz de Quimey neuquen, original do veterano trovador argentino Jose Larralde (ou acreditar nos elogios que lhe devotou, por exemplo, o New York Times). Pois bem, Pedro Canales irá reincidir. O sucessor de Rio Arriba, Amansará, sairá em Setembro, mas será dele que sairá a actuação no aniversário do Baile Tropicante, ou seja, vamos poder ouvi-lo já este sábado (Musicbox; 24h; 6€; actuação seguida de DJ set de La Flama Blanca e El Mecanico del Amor, ou seja, Tiago Santos, dos Cool Hipnoise ou Cais do Sodré Funk Connection). Segunda-feira, Pedro Canales viajará até à Madeira, para actuar no Barreirinha, no Funchal.

Quando da anterior passagem por Portugal, em Outubro, com actuação no Baile Tropicante e nas noites Si Curucucu, no Porto, Canales explicou-nos que, depois de uma adolescência a tocar baixo e guitarra em bandas rock, deixou os instrumentos e pegou no computador. “Interessava-me a possibilidade de incorporar na música uma grande diversidade de sons e muitos timbres distintos de todas as partes do mundo.” Chegou depois a progressiva redescoberta das músicas de raiz do seu país e da restante América Latina, sem perder de vista África ou as Caraíbas, e mantendo-se atento àquilo que de mais vibrante ia acontecendo na música electrónica do Ocidente. Recebemos Rio Arriba em 2011 e maravilhámo-nos.

Esperamos agora por Amansará, com edição marcada para Setembro, mas que já tivemos oportunidade de ouvir. Nele, harpas paraguaias em ritmo luxuriante, passagens pela Colômbia, rimas de rapper entre chocalhos e ritmo digital. Um mergulho mais profundo na essência das músicas de raiz e, ao mesmo tempo, uma noção de dinâmica mais aprimorada, criando digressões instrumentais oníricas assentes num ritmo só aparentemente minimal (há muito a acontecer, mas não há exibicionismo).  A viagem continua. Continua fascinante.

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