Wong Campion/Reuters
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Megafone

Queres ser rico, famoso ou feliz?

É simples: porque se acredita que o caminho para a felicidade passa pelo dinheiro e pela fama, quando, muito seguramente, é através da felicidade que se atinge tudo o resto

É o dilema dos tempos modernos. A pressão imposta por Hollywood, pelas televisões, pelos media em geral. O desassossego permanente em torno da fama, do dinheiro e do sorriso pleno. Todos queremos ser o ator de sucesso, o desportista dos instantes de glória. Ver a nossa cara em publicidades globais e a nossa conta cheia de zeros (e outros números no início). Tudo parece tão fácil!

Tinha piada um amigo cujo lema, de alguma forma, resumia tudo isto. Dizia ele que “antes rico e saudável do que pobre e doente”. Nem mais. Se der para escolher, que se escolha tudo, com doses extras, generosas e reforçadas. O problema é que nem escolhemos nem a vida pode depender de tantas variáveis. A grande maioria dos mortais nunca será rico, nem famoso, nem muito menos feliz.

Mas vamos por partes: de todos estes objectivos qual é o mais simples de alcançar? Sem dúvida o primeiro. Ser rico é aquilo que mais depende de nós. Do nosso esforço. Do nosso empenho. Uma boa ideia pode gerar o primeiro fluxo de tesouraria e, a partir daí, basta só algum talento para multiplicar os cifrões. Não sendo fácil, é mais simples do que parece. E ainda temos as lotarias que por vezes enriquecem os mais “destalentosos” e “ineficientes”.

A segunda mais fácil é a fama. Os profissionais da modalidade que o digam. Umas roupinhas da moda (muitas vezes emprestadas pelas marcas), uns “amigos” que apadrinham as primeiras festas e em dois tempos aí estamos nós, numa qualquer revista social, a esbanjar estilo e sorrisos. Se é bom? Se traz o resto? Não nos precipitemos.Ninguém prometeu tal coisa.

Por último, a mais difícil: ser feliz. Nem depende do dinheiro nem da fama. Nem tampouco de uma vontade unívoca que possa ser forçada, acelerada. Implica paz de espírito, autoconfiança e, acima de tudo, maturidade. Implica viver bem o presente, valorizar o passado, sem sobrevalorizar o futuro. Pressupõe também acreditarmos nas nossas escolhas, no nosso instinto. E depende pouco dos outros e da opinião de terceiros.

Mas sendo assim, porque se perde tanto tempo nas duas primeiras e se investe tão pouco na última? É simples: porque se acredita que o caminho para a felicidade passa pelo dinheiro e pela fama, quando, muito seguramente, é através da felicidade que se atinge tudo o resto. Ou como diz uma dessas frases que rebola no Facebook: “Há gente tão pobre que só tem dinheiro”.