Primárias do PS marcadas para 28 de Setembro, Costa diz que é "grave erro político"

Líder do PS confirma que se demitirá, se for derrotado por António Costa nas primárias.

Seguro afasta qualquer hipótese do PS vir a colaborar com o Governo na procura de uma solução
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António José Seguro demite-se, se for derrotado nas primárias Rui Farinha
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Vítor Ramalho, António Costa e Carlos César à chegada à reunião na sede do PS Nuno Ferreira Santos

O secretário-geral do PS propôs nesta quinta-feira que as primárias para a escolha do candidato a primeiro-ministro se realizem a 28 de Setembro ou a 5 de Outubro e a comissão política aprovou a primeira data. Antes da aprovação, já António Costa tinha qualificado as datas propostas como um “grave erro político”.

A proposta foi apresentada pelo secretário-geral na reunião da comissão política socialista desta quinta-feira à noite, convocada após a comissão nacional se ter reunido no sábado e durante a qual Seguro defendeu a realização de primárias e eleições para as federações distritais.

O adversário de António José Seguro não foi o único a responder à proposta do secretário-geral. Alguns apoiantes de António Costa sustentaram que a “clarificação” que se impunha tinha de se realizar até Julho deste ano. Mas a reunião socialista também foi palco de apoios ao calendário apresentado por Seguro.

A resolução que Seguro apresentou assume também claramente que, “na hipótese de não vir a ser o candidato eleito, e apenas nessa circunstância, o secretário-geral apresentará de imediato a sua demissão”.

Na mesma reunião da comissão política na sede do PS, Seguro definiu o universo eleitoral para as primárias. Além dos militantes, o actual líder propôs que participem também todos os últimos candidatos do PS às autárquicas, legislativas, regionais e europeias, todos os cidadãos que se inscreveram no Laboratório de Ideias e na Convenção Novo Rumo – iniciativas do actual líder socialista – e todos os eleitores que assinem um “compromisso individual de concordância com a declaração de princípios do PS”.

A proposta aprovada acabou por ser diferente, nomeadamente, no universo de participantes. Os candidatos eleitorais, os inscritos na Convenção Novo Rumo e Laboratório de Ideias e os militantes da JS deixaram de ter capacidade eleitoral automática. Para participarem terão de fazer como qualquer simpatizante e assinar um “compromisso individual”.

À entrada para a reunião desta quinta-feira à noite, já se manifestavam expectativas para o encontro. Do lado dos apoiantes de Costa, a tónica assentava na rapidez. Todos os entrevistados pediram celeridade no processo das primárias. Carlos César, o ex-chefe do Governo Regional dos Açores, que chegou ao Largo do Rato ao lado do autarca de Lisboa, foi mesmo ao ponto de considerar como exequível que estas se realizassem “no espaço de um ou dois meses”. Por seu turno, Eurico Dias, membro do secretariado nacional de Seguro, afirmou que esperava “um grande dia para o partido e para o país”.

Encontro com distritais
Antes da reunião da comissão política, Miguel Laranjeiro reuniu-se com os líderes distritais, mas a reunião foi inconclusiva, porque o dirigente nacional não apresentou nenhum calendário com vista à realização das eleições federativas.

Alguns dirigentes das distritais chegaram a defender que as eleições para os órgãos federativos deveriam realizar-se logo que os actuais mandatos terminassem. Esta foi a posição defendida pelo líder da distrital de Santarém, António Gameiro, num email que enviou aos militantes do seu distrito, na quarta-feira ao final do dia. No caso de Santarém, o mandato termina no dia 6 de Julho. Assim, se vingar a tese de Gameiro, as eleições da Federação de Santarém podem vir a ser marcadas para Setembro, ou seja, 60 dias após a cessação do mandato.

No entanto, também houve quem advertisse que não fazia qualquer sentido convocar eleições federativas, porque o importante é dar prioridade ao processo das primárias.

Uma fonte socialista adiantou ao PÚBLICO que a reunião com as distritais “não serviu para nada”, cumprindo apenas um objectivo: “Anular a reunião que as distritais tentaram marcar à revelia da direcção de António José Seguro.”

No sábado passado, as distritais reagiram mal à carta jogada pelo secretário-geral, no Vimeiro, onde anunciou eleições distritais no PS, ao mesmo tempo que propunha primárias para o candidato a primeiro-ministro. Os dirigentes federativos não gostaram que o líder do partido não os tivesse informado previamente dessa intenção, antes de a anunciar à comissão nacional, e acusaram Seguro de colocar a sua sobrevivência política à frente da dos líderes federativos. E houve quem defendesse que seria bom reunirem-se para conversar sobre a decisão do secretário-geral e esse encontro chegou a ser marcado para quarta-feira, em Leiria. Porém, horas depois, uma proposta da direcção do partido convocando-os para uma reunião na sede do partido nesta quinta-feira fez abortar o encontro entre os dirigentes distritais.