“A ideia do festival é a busca do ADN do romantismo brasileiro”

Com mais concertos que no ano anterior, o Festival de Sintra conta este ano com artistas brasileiros e russos e homenageia o compositor Vianna da Motta

O concerto de aberturas será no Centro Cultural Olga Cadaval
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O concerto de aberturas será no Centro Cultural Olga Cadaval

A 49ª edição do Festival de Sintra, evento de música clássica fundado pela marquesa do Cadaval, vai juntar artistas brasileiros e russos para um programa romântico e para homenagear José Vianna da Motta. De 20 de Junho a 11 de Julho, o festival programado por Adriano Jordão, do Teatro Nacional São Carlos, vai acontecer em palácios, quintas e parques de Sintra para dar acesso a este tipo de espectáculo a todo o concelho, disse Basílio Horta, o presidente da câmara de Sintra, esta quinta-feira na conferência de apresentação do festival.

Na construção do programa para o Festival de Sintra com o tema A Universalidade do Romantismo, Adriano Jordão “procurou ser original”, disse no encontro com os jornalistas realizado no Museu de Arte de Sintra (MU.SA). Para isso, dado o tema do Romantismo, evitou a corrente alemã, “mais conhecida”.

“Decidi dar espaço ao que se compôs na Rússia”, explicou, destacando o espectáculo que vai fechar o festival, no dia 11 de Julho, no Palácio Nacional de Queluz. Noite em São Petersburgo, é um espectáculo com cerca de 20 composições de Piotr Tchaikovsky e Sergei Rachmaninov e com interpretações da soprano Elisabete Matos, que faz agora 25 anos de carreira, e do barítono russo Sergei Leiferkus, um dos cinco melhores cantores líricos do mundo, afirmou Adriano Jordão, sobre o intérprete que está habituado a salas como a do Met, em Nova Iorque, Convent Garden, em Londres, ou teatros russos como Bolshoi ou Marinsky.

Artur Pizarro é o pianista escolhido para esta noite e para iniciar a Maratona Rachmaninov, a 2 e 3 de Julho, em que se vão tocar os quatro concertos de Sergei Rachmaninov, no Centro Cultural Olga Cadaval. Os restantes pianistas são o português António Cebola, os brasileiros Daniel Burlet e Aleyson Scopel e o russo Alexei Sychef.

Adriano Jordão destacou ainda para este festival a forte participação de artistas brasileiros através da parceria que estabeleceu com o Festival de Inverno de Petrópolis, também dedicado à música clássica. “A ideia é a busca do ADN do romantismo brasileiro, que está na Europa”, disse o director artístico do festival.

Na Quinta do Ramalhão, nos dias 25 e 26, Aleyson Scopel e Daniel Burlet tocam ao piano uma selecção de peças a que chamaram ADN Europeu na Múscia Romântica Brasileira, e onde se vão poder ouvir obras como Aprés une Lecture de Dante – Fantasia quasi Sonata e Funerais de Franz Liszt, Estúdos Sinfónicos Op.13 e Fantasia Op.17, de Robert Shumann, e ainda uma selecção de composições dos brasileiros Alberto Nepomuceno e Henrique Oswald. A parceria com o festival de Petrópolis estende-se ainda ao recital de violino e piano, no dia 6 de Julho, na Quinta da Piedade, com o violinista Bruno Monteiro e o pianista João Paulo Santos, que tocam composições de Fernando Lopes Graça, Luís de Freitas Branco e Heitor Villa-Lobos.

O artista homenageado na 49ª edição do Festival de Sintra é o pianista e compositor português José Viana da Motta (1868-1948). No concerto de abertura, no dia 20 de Junho no Centro Cultural Olga Cadaval, a Orquestra Sinfónica Portuguesa, com direcção de Álvaro Cassuto, toca a sinfonia A Pátria, Vito, Chula do Douro , a abertura de D. Inês de Castro e três improvisos sobre motivos populares portugueses. Adriano Jordão está em conversações com a editora Naxos Records para que este concerto possa ser gravado e editado em disco para iniciar um registo da obra de Vianna da Motta.

Outro momento alto é a estreia de O Roberto Diabo de Meyerbeer op. 42, de Vianna de Motta, uma peça para piano a seis mãos que vai ser tocada, a 29 de Junho, no Hotel Quinta da Penha Longa, por Joana David, Nuno Lopes e João Paulo Santos. Na mesma noite ouvem-se ainda peças para piano de compositores como Reynaldo Hahn, Carl Czerny, Niccolò Paganini.

Para que todo o concelho possa ter acesso a estes espectáculos, alguns deles vão ser transmitidos em streaming em salas de espectáculos em Queluz, Algueirão e Cacém, o que não se vai traduzir num retorno financeiro, disse Rui Pereira, vereador da cultura, mas serve para apróximar todo o concelho do festival. "Temos consciência de que Sintra não é só o centro histórico. Este festival vai onde estão as pessoas", disse Basílio Horta.

O festival organizado pela Câmara Municipal de Sintra em parceria com o Teatro Nacional de São Carlos e o Organismo de Produção Artística (OPART) tem este ano um orçamento de 140 mil euros, inferior ao do ano passado, de cerca de 170 mil euros. No entanto, para a próxima edição, a 50ª, “haverá maior disponibilidade financeira da parte da câmara”, disse Basílio Horta, já que o objectivo é fazer do festival um momento de visibilidade internacional. Apesar do orçamento mais baixo, Rui Pereira destaca um maior número de concertos e uma maior qualidade da programação deste ano.