Editorial

A China, 25 anos depois de Tiananmen

Pujante e avassaladora, a China poderá ter atingido o seu tecto de crescimento se não democratizar.

A China não tem o soft power dos Estados Unidos, mas terá um PIB maior do que o norte-americano já em 2016; controlará o sistema financeiro mundial em 2020; será a maior economia do mundo em 2021; a sua moeda substituirá o dólar como reserva mundial em 2027; ultrapassará os Estados Unidos como potência militar em 2030.

Dia após dia, novos estudos demonstram a pujança chinesa e a forma avassaladora obriga o mundo a mudar. À esta lista de projecções costumamos acrescentar o nosso “mas” ocidental, que são na verdade dois: ausência de democracia e desrespeito pelos direitos humanos.

A China não se tornará mais forte se não mudar o regime e se não se democratizar. Por outras palavras: se mantiver o seu regime encurralado num modelo autoritário e prosseguir o seu “socialismo com características chinesas”. Baterá num tecto a partir do qual deixará de crescer. Isso é o que antecipam alguns sinólogos.

O que todos vemos, sem necessitarmos da ajuda de especialistas, é o que a China tem em mãos hoje: uma mala cheia de problemas. Tem 21% da população do mundo, mas apenas 9% da sua terra é arável. Está rodeada por crescentes tensões com e entre os seus vizinhos.

Nunca como hoje houve tantos conflitos na Ásia oriental, onde velhos nacionalismos e novas interpretações da história estão a fazer aumentar a tensão a um ritmo veloz. A isso, somam-se crises relacionadas com disputas territoriais, soberania e jurisdição marítima no Mar da China.

Este é o “século da Ásia”. Há 30 anos que intelectuais asiáticos e ocidentais o dizem. Mas a paz na região está longe de ser uma garantia e o célebre “paradoxo asiático” está longe de ter solução à vista. Vinte e cinco anos depois do massacre de Tiananmen, a China continua sem dar luz verde à “Quinta Modernização”. A democracia. Sem ela, não dominará o mundo.

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