Crítica

Não é vedeta quem quer mas quem pode

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Sem ponta de ironia, Angelina Jolie é uma das poucas estrelas de cinema contemporâneas que têm qualquer coisa do carisma, da magia, do glamour das vedetas de antanho - e que um filme como Maléfica seja inteiramente construído à volta desse carisma não faz mais que confirmar essa aura, que no caso da actriz até tem sido gerida com assinalável inteligência.

E há que dizer que a simples ideia de Maléfica é suficientemente intrigante para deixar água na boca: Angelina Jolie, transfigurando-se numa versão revisionista e reveladora da “bruxa má” que amaldiçooa a Bela Adormecida (do conto de Perrault e da sua versão Disney).

Só que, vai-se a ver, Maléfica é uma ideia com potencial e uma vedeta a espraiar o seu carisma à procura de um filme que lhes faça justiça - e que não é o que o estreante Robert Stromberg, oscarizado pela cenografia do Avatar de James Cameron e da Alice no País das Maravilhas de Tim Burton, fez. Ao revisitar a “bruxa má” segundo os lugares-comuns da "mulher de coração destroçado buscando vingança do homem que a traiu", a fita reduz-se rapidamente a um enorme e fútil exercício decorativo e derivativo, demasiado preocupado em agradar ao máximo denominador comum e em encher o olho com efeitos visuais digitais para explorar as boas ideias que acaba por ter.

E, sobretudo, para que raios há alguém de se preocupar com efeitos visuais digitais quando o único efeito especial que interessa - e a única razão para ver este objecto insosso e pobrezinho - é Angelina Jolie, ela própria, a explicar que não é vedeta quem quer mas quem pode?