Costa apresenta programa da candidatura à liderança do PS na sexta-feira

Autarca de Lisboa diz só estar à espera da comissão política nacional de quinta-feira, onde Seguro vai apresentar a sua proposta concreta de primárias no partido.

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Daniel Rocha

O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, prometeu apresentar as “bases programáticas” da sua candidatura à liderança do PS na sexta-feira, um dia depois de a comissão política nacional do partido decidir os termos em que se vão realizar as primárias abertas a militantes e simpatizantes preconizadas pelo secretário-geral, António José Seguro.

Em entrevista ao Jornal das 8 da TVI, António Costa aproveitou para reiterar que, com ou sem primárias – ideia “tentadora e interessante" que surge agora “de forma inopinada” e que já tinha sido rejeitada pelo partido, frisou -, o congresso extraordinário continuará a ser “inevitável”. “O partido não é uma pessoa”, comentou, sublinhando que a "base programática" do futuro líder do PS terá de ser aprovada em congresso.

Recordado que o PS, com actual liderança, já tinha "base programática" e que esta até foi apresentada, com 80 propostas principais, durante a campanha eleitoral das europeias, António Costa garantiu que, se for eleito, o partido “não voltará à estaca zero”. “O PS tem de honrar a sua história, não há trabalhos prescindíveis”, afirmou o challenger de António José Seguro, acrescentando que nem o esforço envolvido na recente convenção Novo Rumo, organizada pelos socialistas, será desperdiçado.

Questionado se admitia uma coligação de Governo entre os socialistas e os partidos à sua esquerda que não assinaram o Memorando de Entendimento com a troika, António Costa disse que, embora não rejeite dialogar com outras forças à esquerda, considera que esse diálogo só será possível se o PS se conseguir afirmar eleitoralmente como “um pólo forte”. “Só com uma vitória forte do PS os partidos de esquerda deixarão de ter uma atitude de bloqueio e terão uma atitude positiva”, previu, para logo acrescentar que, enquanto presidente da Câmara de Lisboa, conseguiu os votos “de muitas pessoas que não votam tradicionalmente no PS” e que estão “à esquerda e à direita” deste partido.

Ainda sobre as primárias, Costa não excluiu a possibilidade de vir a votar favoravelmente a proposta do secretário-geral a apresentar na quinta-feira, desde que permita um processo “rápido, democrático e transparente”, de acordo com “a tradição do PS”. Mas também observou que a crise no partido devia ter, desejavelmente, uma solução até ao Verão.

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