Amorim e Visabeira vendem participação do Banco Único a sul-africanos

Negócio com o Nedbank será anunciado em Junho e implica a venda de 36,5% do capital do banco moçambicano.

O consórcio liderado por Amorim reforçou a sua posição na Galp há uma semana
Foto
Amorim está no Banco Único associado à Visabeira Pedro Maia

Três anos depois de lançarem o Banco Único em Moçambique, Américo Amorim e o grupo Visabeira vão agora vender 36,4% do capital ao sul-africano Nedbank, uma das maiores instituições financeiras deste país. Segundo adiantou ao PÚBLICO o presidente executivo do Banco Único, João Figueiredo, o negócio já foi aprovado pelas entidades reguladoras dos dois países, faltando apenas “meros passos processuais”. A oficialização da operação irá ocorrer na primeira quinzena de Junho. Depois, haverá ainda um aumento de capital cujo valor está por conhecer.

Neste momento, Américo Amorim e a Visabeira detêm 72,8% do capital do banco, através da holding Gevisar (e na qual o maior accionista é Amorim). Após o negócio, cada um dos grupos ficará com 36,4%. João Figueiredo, que até 2010 liderou o Millennium bim (maioritariamente detido pelo BCP e líder de mercado), é dono de 10%. O restante está disperso por investidores locais, como a SF Holdings, do empresário Salimo Adbula (8,9%), e o Instituto Nacional de Segurança Social (2%).

Recentemente eleito como um dos cinco bancos mais inovadores de África pela revista African Banker, o Banco Único foi a 18ª instituição financeira a surgir no mercado moçambicano, em 2011. Actualmente, está na sexta posição em termos de activos, depósitos e recursos de clientes. Com apenas 16 balcões, o principal enfoque geográfico é Maputo, mas a instituição está também presente na Matola, Beira, Tete, Nampula e Nacala, preparando-se para abrir uma nova agência em Pemba. No ano passado, os prejuízos foram de 3,3 milhões de dólares, contra os resultados negativos de 9,4 milhões em 2012.

O Banco Único, explica João Figueiredo, surgiu pela noção de que era possível entrar no mercado de forma diferenciada, “apostando na relação com o cliente”, num país com uma baixa taxa de bancarização (inferior a 15% em 2011) e boas perspectivas de crescimento. Como estratégia de entrada, apostou-se nas grandes empresas e algumas PME, tal como nos clientes com bons rendimentos. Agora, a aposta é tornar-se num banco mais universal, “recorrendo à inovação e a novas formas de chegar ao mercado”, afirma João Figueiredo.

Tanto a Visabeira como Américo Amorim detém vários outros negócios em Moçambique. A Visabeira, presidida por Paulo Varela, aposta em áreas tão diversas como energia, telecomunicações, indústria, comércio e serviços, turismo, construção e imobiliário. Quanto a Américo Amorim, que está neste momento em Maputo, além de ser o presidente não executivo e o maior accionista da Galp Energia, que detém 10% do bloco 4 na bacia do Rovuma (com um enorme potencial de exploração de gás natural), está também nos negócios agrícolas. O empresário é um dos donos da Agromoz, que produz soja na província da Zambézia, tendo como parceiros os brasileiros da Pinesso e os moçambicanos do grupo Intelec.

*O jornalista viajou a convite do FMI, no âmbito do seminário “África em ascensão”.