Portugal “perdeu” quase um milhão de crianças em 30 anos

Entre 1981 e 2011, o país “perdeu” cerca de 936 mil crianças até aos 14 anos de idade. Quase metade das crianças (45,6%) vive em famílias sem outras crianças, segundo Instituto Nacional de Estatística.

Em 2012 deixaram de estar institucionalizadas 2.590 crianças e jovens
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Mais de 45% das crianças vivem em famílias sem outras crianças Daniel Rocha

O diagnóstico está há muito traçado e até já se sabia que 2013 marcou um novo recorde negativo em termos de natalidade, com apenas 82.787 nados-vivos de mães residentes em Portugal. O Instituto Nacional de Estatística (INE) foi agora mais longe nas contas, a propósito do Dia Mundial da Criança que se assinala este domingo, e concluiu que em 50 anos a percentagem de crianças na população residente passou de 29,2% em 1960 para apenas 14,9% em 2011.

Nos 30 anos que mediaram entre 1981 e 2011, o país “perdeu” cerca de 936 mil crianças até aos 14 anos de idade, o que correspondeu a uma redução de 37,3% no peso deste grupo etário no total da população. Nas próximas décadas, e segundo os cenários traçados pelo INE, a tendência vai agravar-se, podendo o número de crianças em Portugal sofrer uma quebra que variará entre os 25% e os 62%, consoante sejamos mais ou menos optimistas.

Entre 10 municípios onde nascem mais crianças, cinco pertencem às regiões autónomas; no conjunto de municípios com menos crianças, Oleiros, no distrito de Castelo Branco, surge à frente, seguido de Pampilhosa da Serra e Penamacor. Ao contrário, Mafra, Arruda e Alcochete, registam o maior crescimento do número de crianças.  Globalmente, 250 municípios perderam população no grupo etário dos 0-14 anos, ou seja, 81,2% do total.

Em 2011, como é habitual, nasceram mais rapazes do que raparigas (51,1% e 48,9%, respectivamente), embora estas continuem a ter uma esperança de vida maior. E, de acordo com os Censos 2011, havia naquele ano 49.994 crianças estrangeiras residentes em Portugal, o que representa 3,2% do total. Eram maioritariamente de origem brasileira e ucraniana, mas também cabo-verdiana e romena.

Daquelas quase 50 mil crianças, 28% nasceram em Portugal, o que atesta o peso que os imigrantes tiveram na sustentação dos níveis de natalidade em Portugal nos últimos anos.

Os últimos Censos mostraram também que 46,5% das crianças viviam em famílias sem outras crianças e 42,1% viviam na companhia de apenas outra criança. A maior parte (78,9%) vivia com os respectivos pais. Na ausência de um dos progenitores, 13,5% das crianças viviam em núcleos monoparentais de mãe e apenas 1,4% com o pai.

Numa escala até mais aguda do que a verificada na restante população, a taxa de risco de pobreza para os menores de 18 anos foi de 24,4% em 2012, superior em 2,6 pontos percentuais ao valor registado no ano anterior.