Banco de Portugal recebe lista com cinco nomes para a comissão executiva do BES

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ESFG encaixou 36,5 milhões de euros com venda de direitos DARIO CRUZ

Supervisor diz que escolha dos gestores é exclusivo dos accionistas, mas pode pronunciar-se sobre a sua idoneidade e competência

O actual presidente da Rio Forte (a holding não financeira do Grupo Espírito Santo), João Pena, e João Brito e Cunha integram a lista com sugestões de nomes que chegou ao Banco de Portugal (BdP) com a finalidade de substituir a actual comissão executiva do BES liderada por Ricardo Salgado.

A proposta integra ainda mais três nomes: os de José Maria Ricciardi, que preside ao BES Investimento, de Joaquim Goes, da actual comissão executiva do banco, e de José Honório, um gestor da área industrial, ex-presidente da Portucel/Semapa.

Dos cinco nomes, apenas José Honório, que Salgado foi buscar para ajudar na reestruturação do Grupo Espírito Santo (GES), não é quadro do grupo, enquanto Joaquim Goes é um gestor independente.

Já José Maria Ricciardi e João Brito e Cunha, estão ambos, pelo lado materno, ligados à família Espírito Santo, enquanto João Pena tem estado à frente da holding RioForte, tendo sido o rosto da reestruturação do sector não financeiro do GES. Por seu turno Joaquim Goes é um independente que pertence há vários anos à equipa executiva de Salgado.

A lista chegou às mãos do regulador num quadro de crispação protagonizado por José Maria Ricciardi, que contesta a liderança do seu primo direito Ricardo Salgado.

O Banco de Portugal fez saber que o tema da eleição dos gestores do Banco Espírito Santo é um assunto que constitui exclusivo dos accionistas, ainda que se reserve o direito de se pronunciar sobre a sua idoneidade e competência, nomeadamente, para gerir os recursos confiados pelos clientes à responsabilidade dos responsáveis de qualquer banco.

Direitos vendidos

Ontem, o grupo francês Crédit Agricole (que é outro dos accionistas de referência do banco, a par da ESFG) e o Espirito Santo Financial Group anunciaram que concluíram a venda de quase mil milhões de direitos de subscrição de acções do Banco Espírito Santo, numa operação com um encaixe de 110 milhões de euros.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a instituição liderada por Ricardo Salgado diz que os títulos foram colocados junto de investidores institucionais a 0,11 euros por direito, um preço inferior ao fecho de anteontem.

O Crédit Agricole vendeu 667,3 milhões de direitos, encaixando 73,4 milhões de euros, enquanto o Espírito Santo Financial Group alienou 332,3 milhões de direitos, realizando um encaixe de 36,5 milhões de euros.

A liquidação da venda dos direitos deverá ocorrer a 2 de Junho.

Ontem, as acções do banco liderado por Ricardo Salgado fecharam na Bolsa de Lisboa a ganhar quase 4%, para 0,98 euros.

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