Ter um seleccionador estrangeiro nunca deu um título mundial

O Mundial do Brasil será o segundo da história do torneio com mais treinadores estrangeiros. A Alemanha é a nação mais representada, Portugal tem Paulo Bento, Fernando Santos e Carlos Queiroz.

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O Brasil foi sempre treinado por seleccionadores brasileiros Vanderlei Almeida/AFP

O primeiro Mundial de futebol, realizado em 1930, no Uruguai, nem sequer tinha representantes de todos os continentes. A Espanha, por exemplo, não foi uma das quatro selecções europeias presentes entre os 13 participantes, mas esteve representada por dois treinadores: o catalão Juan Luque de Serrallonga, responsável técnico do México, e o madrileno Francisco Bru, que orientou o Peru.

Foram dois dos cinco pioneiros estrangeiros no primeiro Campeonato do Mundo, seleccionadores que orientaram equipas de países dos quais não eram nacionais. Mas há um dado histórico que as selecções participantes no Mundial do Brasil terão de ter em consideração. Desde o uruguaio Alberto Suppici, em 1930, até ao espanhol Vicente del Bosque em 2010, nunca nenhuma selecção se sagrou campeã mundial sendo orientada por um seleccionador de outra nacionalidade.

Nunca houve um Mundial que não tivesse treinadores estrangeiros. No Brasil, estarão representadas 19 nacionalidades nos bancos das 32 selecções. Catorze dos técnicos do Mundial brasileiro serão estrangeiros. São mais três em relação ao que foi disputado no Mundial de há quatro anos, na África do Sul, mas não é um recorde na história do torneio.

Europa domina nos técnicos
Em 2006, foram 16 em 32 selecções e o Brasil foi o país mais representado, com cinco técnicos. Para além de Carlos Alberto Parreira, na altura de regresso ao banco brasileiro depois do título conquistado em 1994, o Brasil tinha ainda Luiz Felipe Scolari (Portugal), Marcos Paquetá (Arábia Saudita), Zico (Japão) e Alexandre Guimarães (Costa Rica).

Em 2014, apenas Scolari, de regresso ao banco da “canarinha”, representa os treinadores brasileiros, sendo que a nacionalidade dominante é a alemã, com quatro representantes.

A Alemanha nunca teve um seleccionador que não fosse alemão e, no Brasil, vai continuar a ter Joachim Löw no banco para mais uma tentativa de conquistar o seu primeiro título mundial desde a reunificação, em Outubro de 1990 — nesse ano a RFA tinha sido campeã. Um antigo seleccionador alemão também estará em prova, Jurgen Klinsmann, mas como treinador dos EUA, enquanto Ottmar Hitzfeld repete a presença no Mundial como técnico da Suíça. Quanto a Volker Finke, o mais velho dos quatro (66 anos), vai fazer, como treinador dos Camarões, o seu primeiro Campeonato do Mundo.

Logo a seguir à Alemanha, surgem quatro países com três treinadores: Argentina, Colômbia, Itália e Portugal, sendo que a Colômbia é treinada por um argentino, José Pekerman.

Em termos de continentes, domina a Europa, com 19 representantes, seguido da América do Sul (8), mais dois de África e América do Norte, Central e Caraíbas.

Tal como a Ásia, a Oceânia tem apenas um representante, o técnico da Austrália Ange Postecoglou, que não nasceu no país. Nasceu em Atenas, capital da Grécia, e chegou com cinco anos à Austrália, país por quem foi internacional.

Das 13 selecções europeias, apenas três não são treinadas por nacionais do seu país: Rússia (Fabio Capello), Grécia (Fernando Santos) e Suíça (Ottmar Hitzfeld). Já metade das seis selecções sul-americanas tem nacionais de outros países no seu comando, mas dentro do mesmo continente. Os argentinos Pekerman e Jorge Sampaoli treinam, respectivamente, Colômbia e Chile, enquanto o colombiano Reinaldo Rueda comanda o Equador.

Quanto aos quatro representantes da CONCACAF, apenas o mexicano Miguel Herrera treina a selecção do país onde nasceu.

Das cinco selecções africanas, apenas duas têm treinadores naturais do país, o nigeriano Stephen Keshi e o ganês Akwasi Appiah. As restantes três (Argélia, Camarões e Costa do Marfim) têm técnicos europeus.

As selecções asiáticas também têm uma predilecção por treinadores do “velho continente”. O único técnico asiático deste mundial é o sul-coreano Hong Myung-Bo, enquanto o Irão foi buscar o português (Carlos Queiroz) e o Japão tem o italiano (Alberto Zaccheroni).

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