A Feira do Livro de Lisboa abre igual ao que sempre foi, mas com novidades

A inauguração oficial será às 17h com o secretário de Estado da Cultura e o presidente da Câmara de Lisboa. Há um pavilhão dedicado exclusivamente a Fernando Pessoa e a José Saramago.

Foto
Este ano a Feira do Livro de Lisboa tem novos pavilhões Sandra Ribeiro

O modelo de feira em que os leitores estão próximos dos autores repete-se. Às clássicas sessões de autógrafos e lançamentos de livros da Feira do Livro de Lisboa em que se destaca a presença de Jeff Kinney, o autor da série de best-sellers Diário de Um Banana (20 20 Editora), no Parque Eduardo VII, junta-se um pavilhão dedicado unicamente a Fernando Pessoa e ao Nobel da Literatura, José Saramago. Tal como nos anos anteriores, além de livros, haverá concertos e workshops. A Feira do Livro é inaugurada hoje e fica até dia 15 de Junho no Parque Eduardo VII para a sua 84.ª edição.

De aspecto renovado pelos novos pavilhões coloridos que se estreiam este ano, a Feira do Livro de Lisboa tem um dos seus destaques na presença do escritor norte-americano Jeff Kinney, que já vendeu em Portugal 540 mil exemplares dos seus diários do miúdo Greg Heffley, a personagem que é uma mistura de Dennis, o pestinha, e de Bart Simpson. 
 
“Jeff Kinney muito raramente sai dos Estados Unidos, mas este ano vai fazer um périplo pela Europa que começaria em Madrid. Conseguimos desviá-lo para passar por Lisboa”, conta Joana Freitas, da comunicação da 20 20 Editora sobre o autor que desde 2007 consegue que miúdos dos oito anos aos 12 anos que nunca lêem nada leiam os seus livros ilustrados. O escritor já vendeu cerca de 115 milhões de exemplares em todo o mundo e viu as suas obras adaptadas ao cinema. "A vinda de Jeff Kinney a países como Portugal, que representam mercados muito pequenos, é muito rara", lembra Joana Freitas.

Para celebrar o seu 70.º aniversário, o grupo Porto Editora terá como novidade nesta edição da feira um pavilhão especial que terá por mote a frase: “Autores que nos unem.” E quais são eles? "Fernando Pessoa e Saramago são os autores que nos unem", explica o editor Manuel Alberto Valente. O pavilhão inaugura-se hoje com uma performance literária dedicada ao Prémio Nobel da Literatura 1998 pelo grupo de teatro Éter, já que o lançamento das obras de José Saramago que passaram a ser editadas pela Porto Editora (ver caixa) será outra das novidades da feira.

Por sua vez na Praça Leya, que tem nesta edição mil metros quadrados, a novidade desta edição da feira está relacionada com o Prémio Leya, que pela primeira vez será entregue neste evento lisboeta. A 7 de Junho, a autora Gabriela Ruivo Trindade, que vive em Londres, recebe das mãos do engenheiro Pais do Amaral o prémio pelo romance Uma Outra Voz. "A cerimónia de entrega do prémio quer este ano ser mais informal e mais informativa, com oportunidade de se falar não só da autora, mas também dos restantes finalistas" diz ao PÚBLICO José Menezes, da comunicação da Leya.

Por outro lado, as sessões de música jazz  são um clássico da Praça Leya. "Já se repetem há três anos e resultam sempre", acrescenta José Menezes. “Este tipo de música cola muito bem com o público da feira: as pessoas vão ficando, sentam-se a ouvir música e quando dá para dançar, dançam”, conta. A acrescentar-se a esta programação musical há a tertúlia de poesia e música dedicada a Manuel Alegre, que acontece dia 9, com a presença do autor. “A ideia era falar dos 40 anos do 25 de Abril de uma outra forma, replicando as tertúlias que se fizeram em torno do livro País de Abril [de Manuel Alegre, lançado este ano]”, diz José Menezes.

A Tinta da China vai crescendo aos poucos de edição da feira em edição: acrescenta este ano um pavilhão aos dois que tinha no ano passado e, por isso, passa a ter três livros do dia. “Aumentámos, porque a feira do livro é o lugar onde podemos mostrar os livros que temos e que já saíram das livrarias”, diz a editora Bárbara Bulhosa, que destaca o lançamento da colecção de livros infantis A Bíblia de Lôá de Dulce Maria Cardoso com ilustrações de Vera Tavares – por enquanto são lançados os dois primeiros: Lôá e a Véspera do Primeiro Dia e Lôá Perdida no Paraíso.

Com o terceiro número da Granta que chegou às livrarias há uma semana, a revista é uma das jóias dos pavilhões da editora. “É a Granta internacional com mais assinantes [1500] e a que tem maior número [absoluto] de vendas”, diz Bárbara Bulhosa. A editora organiza nesta feira um debate com autores Granta como Alexandra Lucas Coelho, Valério Romão, Hélia Correia ou Susana Moreira Marques. Para além da Granta portuguesa, a inglesa vai também estar à venda pela primeira vez na feira do livro – a Tinta da China fez uma selecção de 50 números que vão estar disponíveis no seu pavilhão.
 
A feira ficará aberta até 15 de Junho no Parque Eduardo VII, de segunda a quinta das 12h30 às 23h, às sextas das 12h30 às 24h, sábados e vésperas de feriado das 11h às 24h e domingos e feriados das 11h às 23h.