PCP, Bloco e Livre na defensiva sobre a ascensão de Costa no PS

Bloquistas falam numa espécie de "pinheiro que seca tudo à volta". Comunistas desvalorizam rostos da disputa entre Costa e Seguro e perguntam pelas políticas.

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Rui Gaudêncio

No BE, há no entanto, uma certeza, a de que Costa consegue “atrair mais esquerdas e, nessa medida, estreita muito o espaço político” do BE.

“Ele [Costa] vai querer fazer à esquerda no país o que fez em Lisboa, esmagou as esquerdas, é um pinheiro que seca tudo à volta, basta ver a lista dele à câmara de Lisboa, está lá tudo. Ou seja, ele consegue uma concentração de votos no PS que é esmagadora para as outras esquerdas”, diz outro dirigente bloquista ao PÚBLICO.

João Semedo, coordenador do Bloco, foi mais cauteloso, ao afirmar apenas que "acompanha" o que se passa entre os socialistas, mas que "as opções do PS são com o PS, ainda mais quando se tratam de questões internas e de liderança".

Esta quarta-feira, no final da reunião do comité central do PCP, Jerónimo de Sousa optou por se distanciar do “problema” do PS, desvalorizando rostos e perguntando por políticas.

O secretário-geral comunista não se alongou nos comentários, mas analisou que a pedra no sapato do PS não tem sido a liderança. A “questão de fundo é saber que diferenças existem entre esses dois dirigentes do PS”, afirmou. Depois, concretizou assim: “O nosso problema com o PS nunca residiu em torno de caras, mas em torno de políticas que foram realizadas com o PS, designadamente quando foi Governo”.

Embalado pelos 12,68% nas europeias de domingo, o comunista deixou um aviso à navegação, independentemente do líder que se sentar no Largo do Rato para preparar as legislativas de 2015: Se “o PCP sozinho não é alternativa, não há alternativa de esquerda sem o PCP”.

Do lado do Livre, a síntese pode ser feita na rima "cooperação e não competição". O cabeça de lista às europeias Rui Tavares defende que o importante é criar, “o mais depressa possível, uma dinâmica para um compromisso de governação".

Tavares defende que é preciso discutir um programa de esquerda e progressista, mas recusa adiantar se o Livre prefere ter como interlocutor Costa ou Seguro. “Não pensamos nas coisas nesses termos. Se houver uma alternativa clara de governação, uma base política clara, que não seja só PS, os portugueses vão certamente escolher tirar a direita do poder”.

E é aí que o até agora eurodeputado promete concentrar esforços durante o ano que resta até às legislativas, pelo menos segundo o calendário.