Sobre-humano

Há qualquer coisa de errado quando se olha para um candidato a blockbuster, se percebe que as boas (as únicas?) ideias que tem não são suas e se identifica num ápice onde é que as foram buscar. A saber: O Dia da Independência para a imbatível invasão alienígena controlada por uma potência superior, Matrix para a aparência dos aliens indestrutíveis, e O Feitiço do Tempo para a ideia de um homem preso num loop temporal que o obriga a repetir o mesmo dia vezes sem conta - só que, aqui, é o destino desta guerra entre os humanos e os extra-terrestres que está em jogo.Tudo bem: ser derivativo nunca impediu um filme de ser bom entretenimento. E percebe-se em No Limite do Amanhã um espírito de série B que não é dispiciendo, e que procura aliviar a sisudez da premissa com algum humor mais ou menos bem metido, algum dele à custa da imagem pública de Tom Cruise como herói-modelo do cinema americano. O problema maior, contudo, é mesmo esse - para que o filme do tarefeiro Doug Liman se elevasse acima da linha de montagem seria preciso um outro actor, mais vulnerável e menos confiante, que injectasse verdadeira humanidade e insegurança no filme. Em vez disso, temos Tom Cruise outra vez como herói sobre-humano - e é um caso, mais um (mesmo que não tão grave como na Guerra dos Mundos de Spielberg), em que a presença do actor joga contra o filme. É pena, havia aqui potencial para um filme bem engraçado, mas ficamos com uma daquelas fitas-pipoca de calorias vazias que se esquece assim que se sai da sala.