Comentário

A peneira que nos tapa, já depois do sol posto

Uma das maiores abstenções da nossa história democrática. Uma das maiores derrotas da direita política. O ponto mais baixo de apoio popular ao europeísmo. Os três principais resultados do passismo, medidos em termos de sufrágio universal e direto.

Por outras palavras, é inequívoca a vitória da chamada esquerda. Somando PS, comunistas e bloquistas e não dizendo que Marinho e Pinto é de direita, deve ter sido a pior derrota da direita política cá na terra, desde a instauração da democracia. Mas os minoritários dos urneiros continuam a falar em revolução de cima para baixo.

Por outras palavras, Passos passou-se. Seguro segura-se. O PCP é dos maiores partidos comunistas na Europa. Mas todos vão tapando o sol com uma peneira. Nem reparam que o sol já se pôs, há muito.

De certa maneira, confirma-se que Portugal continua a viver em contraciclo face aos nossos companheiros da União Europa, onde, globalmente, houve menos abstenção, ganhou a direita e cresceu, em ritmo de sismo, a extrema-direita. Isto é, houve mais convergências à direita, menos convergências à esquerda e a emergência de independentistas, da Flandres à Catalunha. Uma Europa da complexidade crescente, onde os tradicionais urneiros da Ilusitânia, com tantas contas de sumir, demonstram como é difícil ter confiança neles para o tratamento das contas públicas.

Pedimos desculpa por esta interrupção, a falta de compromisso para a salvação pública ameaça continuar.