Final da Champions é boa para a economia, mas ainda melhor para a reputação de Lisboa

Restauração garante que não vai aumentar preços para tentar lucrar com o evento, que deverá trazer à capital 120 mil adeptos.

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Carla Rosado

Um único dia não é suficiente para mudar as contas dos empresários da restauração e, sobretudo, “os três últimos anos desgraçados” vividos pelo sector. Mas José Manuel Esteves, director-geral da Ahresp, Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, garante que não haverá tentações para aumentar preços e aproveitar a vinda até à capital de 120 mil adeptos espanhóis.

A final da Liga dos Campeões, que se disputa esta noite em Lisboa entre o Real Madrid e o Atlético de Madrid, terá um impacto para a cidade de 46,3 milhões de euros, mas a maior fatia das receitas será entregue ao mercado espanhol (154 milhões) e mundial (159 milhões), pelas contas feitas pelo IPAM, Instituto de Marketing. “Houvesse eventos destes todas as semanas…”, desabafa José Manuel Esteves.

Em termos de comparação – ainda que sejam estudos diferentes – quando a final da Champions juntou o Manchester United e o Barcelona em Londres, em 2011, a Mastercard calculava que a cidade anfitriã do jogo iria encaixar 52 milhões de euros. Usando este valor como referência, a Neoturis, consultora de turismo, estimou ao PÚBLICO que as contas feitas internamente “apontam para receitas incrementais, directas e indirectas para a economia portuguesa de 18 milhões de euros”. O valor inclui gastos com transportes, alojamento e restauração e outras despesas.

Certo é que, independentemente dos números, ao encaixe terá que ser acrescentado “o valor intangível da visibilidade de Lisboa nos mercados internacionais, a valorização que a capital terá por poder ser equacionada para outros eventos, entre outros”, sublinha Eduardo Abreu, sócio da consultora. Além dos milhões que reforçam a economia local há, assim, outros ganhos que só serão contabilizados mais tarde.

A assistir ao jogo estão mais de 380 milhões de espectadores em cerca de 200 países e prevêem-se mais de 10 milhões de “gostos” no Facebook, seis milhões de seguidores no Twitter e mais de quatro milhões no Youtube, garante o IPAM. Nesse momento, as palavras “Lisboa” e “Portugal” serão repetidas e difundidas mundo fora, valorizando o destino turístico.

“A final da Liga dos Campeões é um dos eventos de futebol mais mediático do mundo e Lisboa terá, naturalmente, um retorno importante na projecção da sua imagem e na dinamização do turismo”, diz António Costa, director-geral da Associação de Turismo de Lisboa. Com Espanha aqui tão perto, os proveitos da hotelaria, restauração e serviços de turismo irão crescer nestes dias graças aos apoiantes dos dois clubes. António Costa adianta que a Páscoa e o Verão são os dois períodos do ano em que mais turistas espanhóis viajam para Lisboa “e com a final da Liga dos Campeões é expectável que o número de dormidas supere as expectativas”.

O evento, continua, “é também uma boa oportunidade para proporcionar experiências únicas a todos os que visitam a capital portuguesa, reforçando o seu posicionamento de cidade cosmopolita, moderna e com tradição”.

Qualidade a preços competitivos é o que promete oferecer a restauração por estes dias, num fim-de-semana que também é marcado pelo arranque do Rock in Rio. Os hotéis estão praticamente lotados e os preços, previsivelmente, dispararam. A 2 de Maio, a trivago, motor de busca de unidades de alojamento, já alertava que a disponibilidade de quartos para a noite de 24 de Maio era de 1,38%. E os poucos disponíveis praticavam preços que iram dos 900 euros (residencial) até mais de 7000 euros. A Associação da Hotelaria de Portugal diz que os preços praticados para esta noite são, em média, quatro a cinco vezes o valor normal do preço médio em Lisboa.

O movimento de reservas alargou-se além de Lisboa. Na zona Centro, a procura aumentou 30% acima do que costuma ser registado nesta altura do ano. No Alentejo, os preços também subiram e a maior parte dos hotéis já estavam quase esgotados no início da semana.

O estudo do IPAM estima que a assistir ao jogo no estádio estarão 65 mil pessoas. Os hotéis irão registar 50 mil dormidas, serão servidas 400 mil refeições, e para apoiar o evento há uma equipa de 1500 elementos de apoio. Só a Prosegur, a empresa de segurança que estará a operar na final, terá um dispositivo de mais de mil trabalhadores, naquela que será “a maior operação de segurança alguma vez criada para um evento futebolístico”, diz Juan Coloma, director nacional de operações.

“A hotelaria e a restauração estão em pleno e preparadas para receber com muita qualidade os espanhóis, que já nos conhecem pelos preços baratos. Virão muitos pela primeira vez, e vão regressar de certeza”, conclui José Manuel Esteves, director-geral da Areshp.