Dados de telemóveis revelam mais pessoas na casa do Meco para além das vítimas

Localização do sinal de telemóveis, pedida a operadores, aponta para que tenham estado mais pessoas além dos sete estudantes envolvidos na tragédia. PJ garante, porém, que esses outros jovens não terão estado envolvidos, já que se ausentaram antes do sucedido.

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Seis jovens morreram na praia do Meco, em circunstâncias ainda por apurar Enric Vives-Rubio

Os investigadores conseguiram apurar essa informação através da localização celular – a indicação geográfica do sinal de rede – dos telemóveis das vítimas, do sobrevivente e de amigos destes, garantiu fonte da PJ ao PÚBLICO. Algumas testemunhas já tinham referido à imprensa terem visto nove e não apenas sete estudantes junto à casa.

Entre essas pessoas, cujo número não foi adiantado ao PÚBLICO, estarão alguns estudantes ligados à praxe na universidade Lusófona. Porém, as perícias indicam que terão estado apenas durante o dia e que abandonaram o local horas antes da altura em que as mortes ocorreram, já de madrugada. Pelo menos João Crespo, namorado da estudante Catarina Soares, admitiu numa entrevista à RTP ter levado a jovem no sábado àquela casa. Contudo, insistiu que não estava lá mais ninguém além dos sete jovens envolvidos na tragédia.

A PJ considera, então, que esses outros jovens não terão tido qualquer envolvimento no sucedido. O Ministério Público (MP) de Almada poderá voltar a inquirir algumas testemunhas para as confrontar com  esses dados.

O MP ouviu por duas vezes, na semana passada, a jornalista Ana Leal da TVI. O depoimento foi considerado importante face a dados revelados sobre o caso em várias reportagens. Além disso, foram inquiridas pelo procurador em Abril cerca de 20 das 50 pessoas indicados pelos familiares dos vítimas, que se constituíram assistentes no processo. Estes confirmaram no essencial o que já tinham dito à PJ.

Neste momento, as diligências investigatórias estão praticamente finalizadas e a equipa da PJ de Setúbal que investiga o caso prepara-se para elaborar o  relatório final, que será então enviado ao MP de Almada.

A finalização do documento, que incluirá todas as provas encontradas e a descrição dos factos apurados, está, contudo, mais demorada do que a data prevista e que apontava para a sua entrega este mês, como o PÚBLICO noticiara.

O relatório final com as conclusões da investigação ao caso do Meco estará pronto, afinal, em Julho. A lei não fixa a obrigatoriedade da elaboração daquele relatório nem um prazo para a sua entrega.

Os inspectores da brigada de homicídios da PJ de Setúbal envolvidos na investigação às mortes dos seis estudantes estão em exclusividade naquele caso, mas não foram dispensados do restante serviço que inclui piquetes e prevenções. Fonte policial garantiu ao PÚBLICO que não foi possível dispensar aqueles investigadores face à escassez de recursos humanos para garantir o serviço diário.

Por outro lado, a necessidade, face à mediatização do caso, de elaborar um relatório longo e exaustivamente fundamentado obrigará, ao invés de noutros casos, ao dispêndio de mais tempo com este tipo de documento.

Certo é que o relatório deverá, garantiu fonte da PJ, deverá seguir a linha de investigação de que as mortes resultaram de um acidente, não havendo provas directas de responsabilidade criminal do único sobrevivente.

Caberá porém ao procurador decidir se deduz acusação ou arquiva o processo, que neste momento não tem arguidos constituídos. O sobrevivente, o dux e presidente da Comissão Oficial de Praxe (COPA) da Universidade Lusófona, João Miguel Gouveia, foi ouvido pela polícia, mas enquanto testemunha.

Os inspectores efectuaram perícias a um diário de uma das jovens e aos telemóveis das vítimas que continham mensagens e registos de chamadas. Foi também feita a reconstituição do cenário da tragédia que vitimou os seis jovens na madrugada de 15 de Dezembro.