Cinco mil medicamentos ilegais apreendidos em Portugal

A Autoridade Tributária e o Infarmed concluíram que, "apesar dos alertas, os portugueses continuam a comprometer gravemente a sua saúde ao adquirirem medicamentos pela internet, em websites não autorizados".

Novas restrições na propaganda de medicamentos
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Muitos medicamentos destinavam-se ao tratamento da disfunção eréctil, emagrecimento e esteróides anabolizantes ADRIANO MIRANDA

A Autoridade Tributária e o Infarmed apreenderam, de 13 a 20 deste mês, 4.972 medicamentos ilegais em Portugal, com um valor estimado de quase 20 mil euros, comunicaram nesta quinta-feira as duas entidades, que integraram a Operação Pangea VII.

Os medicamentos ilegais foram apreendidos de um total de 6.364 encomendas inspeccionadas por equipas conjuntas da Autoridade Tributária e a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), na central das encomendas postais, nas áreas da carga expresso de Lisboa e Porto e nas alfândegas do Funchal e Ponta Delgada.

Na inspecção no âmbito da Operação Pangea VII - realizada por 200 agências de 111 países - resultou a apreensão em Portugal de 53 encomendas, a maioria com medicamentos destinados ao tratamento da disfunção eréctil, emagrecimento e esteróides anabolizantes.

Em comunicado, a Autoridade Tributária e o Infarmed concluíram que, "apesar dos alertas, os portugueses continuam a comprometer gravemente a sua saúde ao adquirirem medicamentos pela internet, em websites não autorizados".

"A participação na operação Pangea VII e a colaboração entre as entidades envolvidas em Portugal (AT e Infarmed), ao longo do ano, demonstra que é necessário dar continuidade aos alertas públicos e às acções de cooperação, a nível nacional e internacional, para combater estas situações ilegais, tendo em vista a protecção da saúde pública", refere-se no documento.

A Operação Pangea VII foi a maior operação internacional de sempre no combate aos medicamentos falsificados, que culminou com a detenção de 239 indivíduos e a apreensão, em todo o mundo, de 7.636.826 unidades de medicamentos falsificados, potencialmente letais e com um valor estimado de 29.861.350 dólares (cerca de 21.811.400 euros).

Esta operação foi coordenada pela Interpol, com o apoio da Organização Mundial das Alfândegas (World Customs Organization – WCO), além de Permanent Forum of International Pharmaceutical Crime (PFIPC), Heads of Medicines Agencies, Working Group of Enforcement Officers (WGEO), Pharmaceutical Security Institute (PSI) e Europol, com o apoio de Center for Safe Internet Pharmacies (CSIP) e empresas do sector privado como Microsoft, G2, Visa, Mastercard, American Express, PayPal and LegitScript.

Durante as acções de fiscalização, a nível internacional, foram inspeccionadas 543.531 encomendas postais, das quais 19.618 ficaram aprendidas por conterem medicamentos ilegais ou falsificados.

Adicionalmente, foram também identificados e desmantelados três laboratórios ilícitos na Colômbia. Esta operação visou igualmente as principais áreas exploradas pelo crime organizado no tráfico ilegal de medicamentos, como os sistemas electrónicos de pagamento e serviços de distribuição.