São Horas de Matar no novo vídeo dos Mão Morta

O vídeo do primeiro single mostra Adolfo Luxúria Canibal de revólver em punho em balcões bancários, em São Bento, no Palácio de Belém ou no Campus de Justiça.

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O título já era conhecido. Pelo Meu Relógio São Horas de Matar. O teaser que apresentava o álbum, igualmente. Começava com Marcello Caetano no preto e branco de uma das suas Conversas de Família até que o sucessor de Salazar desaparecia entre a estática televisiva para, no seu lugar, surgir Adolfo Luxúria Canibal para apresentar a narrativa do novo álbum dos Mão Morta. “Um homem de uma confortável classe média portuguesa que vê o seu bem-estar ameaçado até deixar que a solidão e o individualismo em que vive se transformem num acto extremo de revolta motivado pela súbita consciencialização social”, descreve Gonçalo Frota na entrevista à banda bracarense que será publicada no Ípsilon da próxima sexta-feira.

Conhecíamos portanto o título do álbum que sairá para a rua no ano em que a banda bracarense cumpre três décadas de vida. Tínhamos espreitado os títulos das canções no alinhamento: Nuvens bárbaras, Os ossos de Marcello Caetano (“Estão de volta ao Palácio de São Bento”, canta a banda), Horas de matar. Esta terça-feira ficámos também a conhecer o vídeo para esta última, divulgado em primeira mão pela edição online da revista Blitz. Adolfo Luxúria Canibal de revólver na mão, disparando sobre banqueiros, padres, políticos. Adolfo de revólver na mão e os restantes Mão Morta como manifestantes empunhando bandeiras, recortados sobre um fundo que nos vai mostrando imagens de manifestações e de protagonistas políticos como Pedro Passos Coelho, Paulo Portas, José Sócrates, António Guterres, Cavaco Silva ou Mário Soares. “Não há aparato repressivo que sustenha a ira das massas embriagadas pelo desespero”, vocifera o vocalista entre disparos.

Na entrevista a publicar no Ípsilon, Adolfo Luxúria Canibal comenta o teaser em que surge lado a lado com Marcello Caetano. “Parece uma Conversa em Família, porventura, dos governantes actuais. O discurso é o mesmo (…). De alguma forma, parece que o nosso momento presente não é um momento da democracia representativa, mas um momento da primavera marcellista.”

Pelo Meu Relógio São Horas de Matar

é editado na próxima segunda-feira, dia 26 de Maio.