Cartas à Directora

A subserviência ortográfica

Depois da morte de Vasco da Graça Moura, que foi o mais acérrimo opositor ao Acordo Ortográfico, vão-se desenterrando os meandros da génese do chamado "Acordo ortográfico luso-brasileiro".

O jornalista Nuno Pacheco fez-nos chegar, através de um texto publicado no jornal Público do dia 11 de Maio de 2014, a história vergonhosa deste Acordo. A gente lê e quase não acredita, a gente lê e pasma. Como foi possível que uma pessoa que nem é professor de português, nem linguista, nem filólogo, nem lexicólogo, um tal António Carlos Atayde, jornalista, por sede de protagonismo mediático, consegue fazer com que o presidente da Academia Brasileira de Letras que antes era contra o acordo, passasse a ser seu defensor? E consegue obter o apoio de Evanildo Bechara académico, um gramático respeitado que, sendo sempre contra o Acordo, depois mudou e  passou a dar-lhe cobertura.

Não admira, pois que o Brasil tenha suspendido o Acordo até 2016, altura em que tenciona revê-lo ou, talvez, suprimi-lo.

E nós por cá assistimos ao desmoronar da pureza da nossa língua e vamos na cantiga dos brasileiros. As editoras e os média seguem religiosamente os termos do Acordo, ao contrário dos Brasileiros, à custa de termos destruído a ligação umbilical que unia o português à sua língua-mãe, o latim.

Artur Gonçalves, Sintra

É propaganda eleitoral

O 1.º ministro anunciou recentemente que não haverá subida de impostos, tendo dito  o mesmo na campanha eleitoral de 2011, e é o que se está a ver: violento aumento de impostos, cortes salariais, aumento do desemprego (de cerca de 250.000 para mais de 900.000 desempregados, em 3 anos), falência de 610 empresas que estavam em grande desenvolvimento, redução drástica da qualidade de vida dos reformados e dos pensionistas (muitos deles, já não têm dinheiro para se alimentarem adequadamente, nem para pagarem os medicamentos), aumento da pobreza e aumento da dívida do país de 90% para 127% do PIB. Garantiu ainda que haverá recuperação de parte dos salários na Função Pública em 2015. Mas o Documento de Estratégia Orçamental apresentado à troika é mais um pacote de austeridade de 1.378 milhões de euros.

Julgará Passos Coelho que os Portugueses têm memória curta?  Ou que são como os macacos, que comem todas as bananas que lhes dão?

Como será possível recuperar os cortes nos salários, com mais medidas de austeridade, que, pelo que se tem visto, incidem sempre sobre os mais necessitados e desprotegidos?

Os Portugueses não se deixarão enganar com a cantiga do vigário, pois sabem que estas afirmações do 1.º ministro são mera propaganda eleitoral para as eleições europeias!

Manuel Coimbra, Porto

Soldados da paz e da coragem

Parabéns a Fernando Oliveira e a Carla Neto, bombeiros voluntários de Barcelinhos, agraciados com o Prémio Bombeiro de Mérito de 2013 da Liga dos Bombeiros Portugueses. Os corajosos soldados da paz salvaram uma mulher de morrer afogada no rio Cávado. Os bombeiros portugueses dão a vida pelo próximo, promovendo a solidariedade. Os bombeiros assumem na íntegra o dever de imparcialidade e neutralidade. Para estes homens e mulheres os atingidos pelo infortúnio são tratados por igual. Seja na luta contra os fogos, contra a corrente dos rios  e em inúmeras situações de perigo podemos contar com os soldados da coragem. Bem hajam!

Ademar Costa, Póvoa de Varzim

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