AstraZeneca rejeita terceira proposta de compra da Pfizer

Farmacêutica britânica considera os 85.130 milhões de euros propostos pela congénere norte-americana um valor demasiado baixo.

Fusão entre a AstraZeneca e a Pfizer motivou discussão política no Reino Unido
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Fusão entre a AstraZeneca e a Pfizer motivou discussão política no Reino Unido REUTERS/Darren Staples

À terceira não foi de vez. A AstraZeneca voltou a rejeitar a nova oferta de compra da Pfizer, a criadora do Viagra, pondo um ponto final aparente a um cenário de fusão entre as duas gigantes farmacêuticas.

Num comunicado divulgado esta segunda-feira, a farmacêutica britânica defende que a proposta da sua congénere norte-americana, de 69.400 milhões de libras (aproximadamente 85.130 milhões de euros), “fica aquém do que poderia representar criação de valor” para a empresa e os accionistas, tendo em conta que todos os medicamentos que já estão em desenvolvimento, entre eles um novo fármaco contra o cancro do pulmão.

Depois de uma primeira proposta ter sido rejeitada em Abril, no início de Maio a gigante norte-americana dispôs-se a pagar 50 libras por cada título da AstraZeneca (um preço que avaliava a empresa em cerca de 79.000 milhões de euros), mas sem sucesso.

Nesta terceira tentativa, a oferta foi de 55 libras, mas segundo a Bloomberg, que cita fontes da Pfizer, o preço teria de ter superado as 58,85 libras por acção para que a administração da AstraZeneca recomendasse o negócio aos seus accionistas.

No comunicado, a farmacêutica britânica diz que aceitar a oferta da Pfizer não só penalizaria os seus accionistas, como prejudicaria os avanços da investigação no Reino Unido, Suécia e Estados Unidos.

Razões financeiras à parte, certo é que a operação motivou um coro de protestos por parte do líder do Partido Trabalhista, Ed Miliband, que chegou a acusar o primeiro-ministro David Cameron de estar a apoiar a Pfizer na operação, e também do Parlamento britânico, onde o presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia (o também trabalhista Andrew Miller) questionou se o negócio salvaguardaria o interesse nacional.

As críticas da oposição obrigaram o líder do Governo britânico a admitir, através do seu porta-voz, a existência de conversações com os dois grupos farmacêuticos pela importância estratégica que a área de investigação científica assume para o Reino Unido, embora remetendo a decisão final para os accionistas das empresas envolvidas.

Para acautelar quaisquer receios, a Pfizer, que desde Janeiro andava a “rondar” a AstraZeneca, chegou a garantir por carta ao primeiro-ministro britânico que não haveria quaisquer alterações ao plano de criação de um centro de investigação em Cambridge e que cerca de 20% da força laboral da nova empresa resultante da fusão estaria em território britânico.

Mas, passadas quase duas semanas, o desfecho revelou-se negativo para a empresa norte-americana, que já tinha garantido que esta seria a sua oferta final. A Pfizer também tinha rejeitado a possibilidade de lançar uma oferta de aquisição hostil sobre a AstraZeneca, pelo que parece ficar assim posta de lado qualquer possibilidade de combinação de negócios entre as duas empresas.

Notícia corrigida às 15h50: valor da oferta, em euros, é de 85.130 milhões de euros e não 117.000 milhões
 

   





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