Renovação Comunista quer acabar com “tabu que proíbe” convergências com o PS

Ex-deputada do BE, Joana Amaral Dias, vai à Convenção Novo Rumo.

Carlos Brito foi líder parlamentar do PCP
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Carlos Brito foi líder parlamentar do PCP Pedro Cunha/Arquivo

Depois da direita, a esquerda. O movimento Renovação Comunista (RN) assumiu neste sábado o seu apoio ao PS nas eleições europeias de 25 de Maio. O ex-dirigente do PCP e figura do movimento, Carlos Brito, Paulo Fidalgo, médico, e Cipriano Justo, ambos dirigentes do RN, dão a cara pelo apelo ao voto útil no PS nestas eleições.

O apoio foi formalizado neste sábado, em Lisboa, num encontro que juntou o secretário-geral dos socialistas, António José Seguro, com dirigentes do movimento. E realizou-se poucas horas após um primeiro encontro do cabeça-de-lista do PS às europeias, Francisco Assis, com o ex-dirigente do PSD, António Capucho, que também declarou o seu apoio individual ao PS.

No encontro com a Renovação Comunista, o ex-líder parlamentar do PCP surgiu num ecrã. Com o secretário-geral do PS a assistir, Carlos Brito desfiou as razões para o acordo celebrado com os socialistas. Queria “acabar com o tabu que proíbe as forças à esquerda do PS em negociar e fazer compromissos”. Uma situação “absurda”, que “só servia à direita”, levando, por isso, a Renovação Comunista a apelar ao voto útil no PS nas europeias. Mas sem “passar um cheque em branco”.

O líder do PS, António José Seguro, aproveitou a deixa para falar no “início de uma caminhada”. Afinal, havia “pessoas à esquerda que consideram que governar não é pecado”. E elencou as áreas onde havia possibilidade de trabalhar no compromisso: “Escola pública, Serviço Nacional de Saúde, protecção social pública e Estado social visto como um investidor social”.

O dirigente da RN, Paulo Fidalgo, apontou também para o futuro ao manifestar a esperança de que o acordo fosse um “ensaio para convergências com outras forças de esquerda”.

O anúncio faz parte da estratégia do PS para estas europeias de se apresentar como uma força agregadora no país. Francisco Assis, cabeça de lista dos socialistas ao Parlamento Europeu, por mais de uma vez falou da responsabilidade histórica que recai sobre o PS numa altura em que muitos dos que votam PSD não se revêem naquele partido.

A estratégia de convergência inclui ainda a intervenção na Convenção Novo Rumo deste sábado de uma ex-deputada do Bloco de Esquerda. Joana Amaral Dias vai falar no painel dedicado ao "Novo Contrato Social". A bloquista afastou-se do partido que representou no Parlamento depois de declarar o seu apoio à última candidatura de Mário Soares às Presidenciais.