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BES sobe capital em 1000 milhões de euros e anuncia prejuízos de 89 milhões

Banco quer encaixar até 1045 milhões para reforçar o balanço da instituição. Prejuízos do trimestre foram de 89,2 milhões.

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Rita Chantre

Esta quinta-feira foi marcada por vários anúncios por parte do BES, com destaque para o do valor do aumento de capital: a instituição liderada por Ricardo Salgado quer encaixar até 1045 milhões de euros, através de novas entradas em dinheiro via subscrição pública, “com respeito pelo direito de preferência dos accionistas”. De acordo com o comunicado do banco, o preço de subscrição, de 0,65 euros por acção, representa um desconto da ordem dos 34%. Hoje, as acções do BES fecharam a cair 5,54% para 1,06 euros, após a queda de 8,19% de quarta-feira.

Este aumento de capital, diz o BES, tem vários objectivos, entre os quais está “o crescimento nos mercados internacionais” onde o banco está presente e a criação de “reservas adicionais de capital" [melhorando os rácios] para enfrentar o novo quadro regulatório da banca e os testes de stress e a  "revisão de qualidade dos activos que serão realizados em antecipação à transferência da supervisão” dos bancos da União Europeia para o BCE. O banco tem um acordo com um sindicato bancário para efectuar a subscrição, “por conta dos próprios membros do sindicato ou por conta de investidores institucionais por estes seleccionados, das novas acções que eventualmente não sejam subscritas no âmbito do aumento de capital por titulares de direitos de subscrição”.

Um outro anúncio foi o da manutenção dos prejuízos que, desta feita, foram de 89,2 milhões de euros no primeiro trimestre, acima dos 62 milhões negativos de idêntico período de 2013. O banco destaca, no entanto, que os prejuízos no último trimestre do ano passado tinham sido de 136,6 milhões.

Este resultado negativo está ligado a um aumento das imparidades, que atingiram os 380,6 milhões. Só o custo com imparidades de crédito foi de 276,3 milhões (mais 47,6%). Tendo registado uma quebra nos depósitos (menos 3,1%, para os 36.242 milhões), e menos empréstimos (penalizado por uma quebra nos particulares) face a idêntico período de 2013, o banco subiu o seu rácio créditos/depósitos. Depois de ter estado nos 121%, voltou aos 129%, quando a recomendação é não passar os 120%. No entanto, o banco destaca que houve um impacto negativo neste indicador devido à inclusão do BES Vénétie no perímetro de consolidação integral das contas.

Perdas em Angola
Olhando para a geografia das operações, o banco destaca que o resultado da área internacional foi positivo em 13,9 milhões de euros, “contribuindo para a mitigação dos prejuízos registados na área domésticas”, e que atingiram os 103,1 milhões. O BES Angola, no entanto, teve um prejuízo de 15 milhões, influenciado, diz o banco, “pelo provisionamento da carteira de crédito em cerca de setenta milhões”.

Houve, depois, o terceiro anúncio, com a oficialização do fim da holding que agregava as posições do Espírito Santo Financial Group (ESFG) e dos franceses da  Crédit Agrícole desde 1991, simplificando a cascata accionista. De acordo com o comunicado conjunto, a ESFG passa a deter 27,36% do BES de forma directa e indirecta, enquanto o  Crédit Agrícole é dono de 20,12%.

O mesmo comunicado enviado ao regulador do mercado de capitais, a CMVM,  avançou que os franceses vão alienar à Tranquilidade 10% da ESAF - Espírito Santo Activos Financeiros e 50% do do BES - Companhia de Seguros, deixando assim de ter qualquer posição nestas duas sociedades.

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