Passos exorta portugueses a condenarem mentalidade daqueles que iam destruir Portugal

Primeiro-ministro acusa oposição de pôr em causa o euro e a Europa.

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Havia muitos lugares vazios no almoço em Macedo de Cavaleiros Adriano Miranda
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O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, destacou neste domingo em Macedo de Cavaleiros, Bragança, a importância que as eleições para o Parlamento Europeu do próximo dia 25 de Maio vão ter para o país e exortou os “portugueses e as portuguesas” a votarem na coligação Aliança Portugal. “O nosso futuro está intimamente ligado à Europa”, sublinhou.

Num almoço da Aliança Portugal, no refeitório de uma escola onde havia várias mesas vazias, Passos Coelho disse que as eleições europeias são numa oportunidade para que os “portugueses e as portuguesas possam condenar e recusar a mentalidade que ia destruindo Portugal e que ia pondo em causa o euro e a Europa”.

Em Trás-os-Montes, um território que lhe é favorável, Passos apelou aos portugueses para condenarem nas eleições europeias a “demagogia e o facilitismo”, que assinalou como marcas do discurso da oposição e que, alegou, quase destruiram Portugal.

No seu discurso, o líder do PSD deu conta da preocupação "com alguma agenda populista e demagógica" na política nacional e considerou que quem ouve a oposição "fica com a ideia de que tudo se resolveria sem sacrifício, se a Europa quisesse".

Dirigindo-se aos comensais presentes na sala – havia duas, mas uma ficou com muitos lugares vazios – o primeiro-ministro não deixou de lembrar que “há quase 28 milhões de euros para ajudar a agricultura, os serviços, a indústria, as pequenas e médias empresas e as qualificações dos portugueses, para ajudar Portugal a ser mais competitivo”.

Passos Coelho fez uma intervenção em que enalteceu a importância da Europa para Portugal num momento de grande aflição nos últimos três anos.

“O voto dos portugueses e das portuguesas é preciso para recusar esta demagogia e facilitismo e para mostrar que estamos aqui para o que der e vier, responsáveis e solidários com as portugueses e os portugueses, com Portugal, mas também com a Europa”, declarou o líder do PSD e também primeiro-ministro, que responsabilizou, por diversas vezes, o PS por todos os sacríficos que os portugueses tiveram de fazer nos últimos três anos.

Um pouco antes, o cabeça de lista da coligação Aliança Portugal, Paulo Rangel, havia disparado também contra o PS por falar em Estado social quando deixou o país com os “cofres vazios” sem poder pagar a Educação, a Saúde e a Segurança Social.

“Vejo os nossos adversários, que ainda ontem [sábado] andaram por estas terras, a falar do Estado social. Mas quem deixa o país na bancarrota é quem tratou do Estado social? Como é que um país com os cofres vazios pode pagar a Educação, a Saúde ou a Segurança Social?" indignou-se  Paulo Rangel.

"Eu sei que nós passámos muitos sacrifícios, mas é com os nossos sacrifícios que nós hoje estamos em condições de sair do programa da troika e de começar esta agenda de crescimento e emprego", declarou.

Rangel acusou os socialistas de não terem "agenda para a Europa" e insistiu na ideia de "não repetir o passado". "Nós estamos vacinados contra os socialistas, isso é que nós estamos", disse.

Nuno Melo, o primeiro candidato do CDS-PP na lista da coligação Aliança Portugal, escolheu José Sócrates como alvo da sua intervenção, afirmando que o ex-primeiro-ministro "chegou à campanha" através de Pedro Silva Pereira e responsabilizou os socialistas pela austeridade que dizem ir a votos nas eleições europeias.

Num discurso muito aplaudido, o eurodeputado usou da ironia e aconselhou o secretário-geral do PS, António José Seguro, e o ex-Presidente da República, Mário Soares, a telefonarem ao seu "correlegionário de partido" e vice-presidente do Banco Central Europeu, Vítor Constâncio, sobre a conferência do BCE, FMI e Comissão Europeia que decorre em Portugal no dia das eleições.

"Em boa verdade, José Sócrates já chegou à campanha, ou melhor, Silva Pereira falou, o que é mais ou menos a mesma coisa. E falou para dizer o quê? Que a direita empurrou o país para a ajuda externa e que no próximo dia 25 de Maio o que vai a votos são as políticas de austeridade", atirou o eurodeputado democrata-cristão.

Puxando de novo da ironia, Nuno Melo questionou-se sobre "que espécie de ataque amnésico" terá assolado Pedro Silva Pereira, candidato do PS às europeias e ex-ministro do anterior governo, "para o fazer esquecer onde estava no dia 11 de Maio de 2011".

"Eu digo-vos: estava ao lado de Sócrates, em frente à troika, a assinar a austeridade que vai a votos em Portugal. Se a austeridade vai a votos, então, a votos irão necessariamente os socialistas, Silva Pereira a começar, e com ele todos os outros, que até 2011 arruinaram este país, lançaram-nos na bancarrota, trouxeram-nos essa troika e essa austeridade", argumentou.

Perante Passos Coelho e Paulo Rangel, Nuno Melo disse que os eleitores se devem preparar "para quase tudo" durante a campanha eleitoral.