Anonymous expõem na Net foto de família do procurador que coordena Gabinete do Cibercrime

Hackers publicaram a imagem e deixaram uma mensagem para o magistrado. Nela, dão-lhe os parabéns "por assumir a direcção do inquérito relativamente à ciber segurança" e mandam "um grande bem haja para a sua doce família".

Em lugares públicos, a máscara identifica apoiantes do grupo Anonymous
Foto
Em lugares públicos, a máscara identifica apoiantes do grupo Anonymous Michael Gottschalk/AFP

Um dos grupos ligados aos Anonymous, que a 25 de Abril atacou o site da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) e revelou os contactos de dois mil procuradores, expôs recentemente também uma foto de família do magistrado que coordena o Gabinete do Cibercrime na Procuradoria-Geral da República (PGR).

"Gostaríamos de dar os parabéns ao Exmo. Sr. Pedro Verdelho pelo cargo de assumir a direcção do inquérito relativamente à ciber segurança, assim como mandar um grande bem haja para a sua doce família", diz o grupo Sudoh4k3rs no texto que acompanha a fotografia publicada no seu perfil de Facebook.

Aquele gabinete é responsável pela coordenação interna nesta área, da formação específica e pelos protocolos com fornecedores de serviço de acesso à Internet para agilizar as investigações.

Na fotografia, surge o procurador com a mulher e os quatro filhos menores. A veracidade da imagem foi confirmada por fonte da PGR, onde, aliás, a situação provocou incómodo já que os menores surgem na imagem e através dela podem ser, eventualmente, identificados.

O PÚBLICO contactou Pedro Verdelho que preferiu não comentar a situação. Já a PGR confirmou que o magistrado está encarregue do inquérito ao ataque ao site da PGDL. “A PGR nomeou este magistrado para assumir a direcção do inquérito relativo ao ataque informático a servidores que alojam sites do MP”, respondeu a PGR sem responder a outras questões, nomeadamente se abriu um inquérito para investigar eventuais crimes em causa com a publicação da fotografia.

A fotografia foi publicada domingo e já tem vários comentários. Algumas pessoas elogiam a atitude, enquanto outras condenam o acto por considerarem que tal não contribui para os objectivos dos Anonymous e até pode trazer-lhes má imagem.  “Este mundo é puro caos, mas ao nível dos Anonymous para com o exterior, nunca nada é feito a nível pessoal”, disse ao PÚBLICO um elemento daquele colectivo. O hacker rejeitou ainda que a publicação da foto da família do procurador tenha sido “uma ameaça” preferindo encarar a atitude como “sarcástica”.

A mesma fotografia surge no site da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas onde se encontra numa publicação de 2012. O PÚBLICO tentou sem sucesso falar com a secretária-geral daquele associação, Ana Cid Gonçalves.

A página da PGDL está activa desde terça-feira depois de ter ficado preventivamente inacessível para verificação dos danos e protecção de informação nos servidores. A PGR informou logo na altura que abriu um inquérito para apurar responsabilidades.

Os dados, disponibilizados ao PÚBLICO, incluem números de telemóveis privados dos magistrados, os seus endereços de correio electrónico pessoal, as suas datas de nascimentos e a referência à situação de actividade, reforma ou licença.

Além disso, os hackers conseguiram ainda aceder às palavras-chave de dezenas de magistrados para aceder ao Sistema de Informação do Ministério Público (SIMP). O SIMP serve para comunicação interna no MP e envio de ofícios hierárquicos. Não tem informação directa sobre os processos judiciais, mas fonte do MP admitiu que em alguns ofícios pode constar informação indirecta sobre os mesmos. O site do SIMP continua inacessível. O PÚBLICO tentou sem sucesso contactar a procuradora distrital de Lisboa, Francisca Van Dunem.

Sugerir correcção