MIT constrói a mais detalhada simulação do cosmos de sempre

Já podemos assistir à complexa simulação do universo em expansão — a culpa é de uma rede de supercomputadores

Uma rede de supercomputadores demorou seis meses a construir a complexa simulação do universo em expansão. Se ela tivesse sido processada por comuns computadores domésticos, levaria cerca de 2000 anos a concluir. Primeiras imagens já foram divulgadas.

A iniciativa foi conduzida Mark Vogelsberger, professor do Massachussetts Institute of Technology com extensa investigação realizada sobre o tema da matéria escura. Sendo que conceitos como matéria escura e energia escura — respectivamente, matéria que não interage com a luz e energia que acelera a expansão do universo — ainda sofrem alguma resistência entre académicos, este género de modelos de simulação servem para confirmar se esta "matéria hipotética" convive com as leis físicas de formação de galáxias e condensação de gases. Esse parece ter sido o resultado, já que a simulação produziu morfologias de astros e galáxias quase indistinguíveis das verdadeiras e observáveis.

Ao contrário de cientistas de outros campos, não é possível aos astrofísicos conduzirem experiências em laboratório para confirmarem teorias. É essa a razão porque a construção destes modelos é levada tão a sério.

O modelo utilizado para esta última e mais ambiciosa simulação, o Illustris, foi um produto da colaboração entre o MIT e Harvard. Estes modelos correm apenas uma porção de cosmos, um cubo com 350 anos-luz de lado. Dentro desse cubo, os processadores vão aplicando leis da física ao universo em expansão imediatamente após o big bang, um período onde parece haver bastante consenso sobre a linearidade da interacção entre a matéria. É no momento da interacção entre nuvens de gases que surgem as maiores dúvidas, e onde os modelos parecem falhar. Isso também é um resultado em si, pois aponta um foco para os ponto fracos das teorias em vigor.

É possível visualizar resultados gráficos de simulações passadas no site oficial do Illustris. Embora a maior parte dos resultados desta mais recente simulação ainda não tenham sido tornados públicos, é possível consultar o paper de Mark Vogelsberger na última edição do journal Nature.

Artigo editado por Luís Ocávio Costa