Farruquito abre hoje o Festival de Flamenco de Lisboa

O Festival de Flamenco de Lisboa começa, desta vez, com baile. Farruquito é a estrela na estreia, hoje no CCB.

http://youtu.be/GR8fevlATHc

À sexta edição, o Festival de Flamenco de Lisboa resolve-se em datas algo afastadas no tempo: na noite desta quarta-feira actua a estrela desde ano, Farruquito, no CCB (21h), pouco depois de ter sido inaugurada uma exposição de fotografia intitulada Flamencuras (de Diego Gallardo Lopes, às 19h30, no Altis, onde houvera na véspera jantar e baile).

E em Outubro e Novembro, depois de longa pausa, renasce em dois espectáculos no Teatro de São Luiz: um, com o trio de Jorge Pardo, a 29 de Outubro (21h); outro, com a cantaora Esperanza Fernández a cantar José Saramago (o espectáculo, já estreado em Espanha, tem nesta apresentação portuguesa o apoio da Fundação José Saramago). Antes, a 23 de Outubro (já houvera uma, em Março), haverá nova palestra no Instituto Cervantes intitulada Linguagem e Flamenco – Enrique Morente (às 18h30).

É um programa ajustado à crise, num festival que, nascido em 2008 (ainda antes de o flamenco ter sido reconhecido património imaterial da humanidade pela UNESCO), já nos trouxe em edições anteriores nomes tão relevantes quanto Enrique Morente, Miguel Poveda, Juan Manuel Cañizares, Miguel de Tena, Pepe Habichuela, Estrella Morente, Fuensanta La Moneta ou Carmen Linares. Mas a abertura, hoje, com Farruquito, é um apelo aos que, amantes do flamenco, seguem o que de melhor se vai fazendo no baile.

Nascido em Sevilha, a 15 de Agosto de 1982, Juan Manuel Fernández Montoya ganhou o nome por que é conhecido nos meios flamencos do seu avô, Farruco (com quem aparece, ainda muito novo, tinha então 11 anos, no filme Flamenco, de Carlos Saura). Filho de um cantaor (Juan Fernández Flores, El Moreno) e de uma bailaora (Rosario Monntoya Manzano, La Farruca), Farruquito começou bem cedo nas artes do baile. Aos 15 anos, em 1997 (ano em que morreu o seu avô) criou o seu primeiro espectáculo, intitulado Raíces Flamencas, que correu mundo.

Depois de, em 2003, ter atingido o auge como estrela do género (foi fotografado por Richard Avedon e eleito pela revista americana People como uma das pessoas “mais belas do mundo”), retirou-se em 2004 devido a uma tragédia de que foi, ele mesmo, causador: um atropelamento mortal numa rua de Sevilha, onde conduzia acima de velocidade permitida. Julgado, condenado, cumprida a pena determinada pelo tribunal (saiu da prisão em 2010), Farruquito voltou aos palcos e retomou o contacto com o seu público.

O espectáculo que traz a Portugal, Improvisao, é descrito pelo produtor sevilhano Ricardo Pachón, na sinopse que consta do site do bailaor, deste modo: “Com a sua proposta cénica Improvisao, Farruquito propõe-se retomar a essência de um flamenco íntimo, autêntico e visceral no qual os artistas se despojam de todos os truques cénicos para largarem a pele numa heróica tentativa de se fundirem com o público através da improvisação.” Ao El País digital, Farruquito disse, por sua vez, em Março deste ano: “Nunca fiz um baile exactamente igual a outro. Às vezes levo um espectáculo mais montado, mas acerto sempre com os músicos espaços onde posso bailar com liberdade.”

Hoje, o público português terá oportunidade de fazer o seu próprio juízo acerca do talento desta jovem estrela.