Mário Soares afirma que "neste momento não há direitos humanos" no país

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Soares considera Passos Coelho um "discípulo reverente" de Merkel Foto: Rafael Marchante/Reuters

Numa conferência organizada pela Amnistia Internacional (AI), em Lisboa, o ex governante afirmou: um "Governo que só pensa no dinheiro e nos mercados é evidente que só pode fazer asneiras e é o que tem estado a fazer".

Segundo Mário Soares, em três anos e meio de governação da coligação PSD/CDS-PP, "nunca se pensou em direitos humanos". "Direitos humanos, onde é que eles estão ?", questionou Mário Soares, garantindo que "neste momento não há direitos humanos em Portugal" e que a "grande maioria do povo não tem dinheiro para comer e os seus filhos vão ao caixote do lixo".

Lembrando viver-se uma crise europeia e a austeridade imposta "pela senhora [Angela] Merkel", Mário Soares citou o Papa Francisco para referir que a "austeridade mata". "Mais austeridade e lá vamos nós perder muitas pessoas. A quantidade de gente inteligente que desapareceu das universidades", comentou o socialista, lamentando as situações "dificílimas" de cientistas e professores.

Para o antigo primeiro-ministro e Chefe de Estado "a grande maioria do povo português está contra o executivo", que "nunca dialogou com ninguém". "Este Governo nunca falou em direitos humanos, tal como nunca falou com o povo, desde o Presidente da República aos membros do Governo", notou Mário Soares, justificando essa ausência com o facto de os governantes actuais "serem vaiados cada vez que saem à rua". "Não podem sair à rua e nunca se viu uma coisa assim no país", comentou.

Na sua intervenção, o antigo dirigente socialista resumiu que a União Europeia vive a "maior crise vivida até hoje, que é da responsabilidade da chanceler Merkel e de outros dirigentes da zona europeia que a ela têm obedecido".
"Tornaram-na, ao que parece, dona dessa mesma zona euro, mas não é com certeza dona", argumentou Mário Soares para quem a "democracia, o Estado social e os direitos do homem estão, no actual contexto europeu e português, pelas ruas da amargura".

Na origem da situação social está o desaparecimento dos partidos que fundaram a União Europeia: os "sociais-democratas ou socialistas e os democratas cristãos". "Os partidos desapareceram e foram substituídos por partidos exclusivamente populistas e que às vezes se tomam por sociais-democratas, como é o caso português", afirmou.

Questionado depois da conferência acerca da saída limpa do programa de resgate financeiro, Mário Soares respondeu apenas que o "importante é que este Governo saia".

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