Seguro apela ao “voto útil” nas eleições europeias

Para os socialistas, em 25 de Maio o eleitorado pode enviar um recado para a Europa.

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"A eleição do dia 25 de Maio é da maior importância", segundo António José Seguro Vítor Cid

António José Seguro fez este sábado um apelo ao “voto útil no PS” nas eleições para o Parlamento Europeu para que o “PS possa oferecer uma alternativa ao país e ao mesmo tempo censurar nas urnas este Governo e este primeiro-ministro”.

Em Braga, onde encerrou uma conferência sobre o Emprego, o líder do PS acusou o “Governo de olhar para o desemprego como uma fatalidade” e exortou os portugueses a votarem no PS porque, sublinhou, “só o PS pode derrotar este Governo”. Afirmando que não é pela via do protesto que se mudam as políticas do Governo, porque “isso – disse – entra-lhes por um ouvido e saí-lhes por outro”, o dirigente socialista explicou a importância do próximo combate eleitoral, que considerou da “maior importância”.

“A eleição do dia 25 de Maio é da maior importância, porque através do voto dos portugueses nós enviamos um recado para a Europa e para o Governo de que não queremos mais austeridade, não queremos mais sofrimento, não queremos mais política de empobrecimento, mas também dizemos com muita clareza que o povo português merece um Governo decente que cumpra a palavra e as promessas que faz em campanha eleitoral”.

Na mira das criticas de Seguro estiveram o primeiro-ministro que “disse que não aumentava os impostos e aumentou”, a “ministra das Finanças que, acerca de três semanas, disse que não havia mais despedimentos na função pública e agora veio-se a saber que acordaram com a troika um novo plano de despedimentos na função pública”.

Mas Paulo Portas não foi poupado. O secretário-geral do PS recuou a 2013 para lembrar que o então ministro dos Negócios Estrangeiros na altura disse que a “TSU dos idosos era uma linha vermelha ele nunca pisaria quanto mais ultrapassaria”. “Pois bem, como é que agora o dr. Paulo Portas se sente no Governo onde ele próprio decidiu que haveria finalmente uma TSU para os idosos?” A plateia aplaudiu.

A escolha de Braga para a realização da conferência dedicada ao Emprego não foi inocente. Lídia Sequeira, que organizou a 16ª iniciativa da Convenção Novo Rumo explicou ao PÚBLICO o porquê da opção por aquela cidade. Por estar no “distrito mais jovem do país”, por nela estar instalada “uma universidade de prestígio, no âmbito da investigação, que tem sabido aliar essa investigação ao empreendedorismo, para a criação de maior valor acrescentado nos produtos”.

Ao PÚBLICO, os organizadores da conferência deste sábado frisaram desde o início que a iniciativa não serviria para revelar medidas a incluir no programa eleitoral socialista. Lídia Sequeira, que preparou a conferência, preferiu antes apresentá-la como um fórum onde seriam indicados os “caminhos” que o secretário-geral tem pela frente nesta área.

Mas o programa já evidencia as “três matérias essenciais” que os moderadores identificam. Nas palavras de Francisco Madelino, a criação de emprego em Portugal tem de passar pela “dinamização do emprego pelas empresas”, cabendo ao Estado criar “o melhor contexto para que estas funcionem”. Tudo isto rematado por um “grande pacto para o emprego” com os parceiros sociais.

“Quem cria emprego são as empresas”, explica Lídia Sequeira. Sendo este o ponto de partida, a conferência separa, no entanto, o trigo do joio. Há “sectores concretos”, admite Francisco Madelino, que “têm feito um caminho de ganho de quotas nas exportações”. E assim, o PS vai ouvir pessoas ligadas ao cluster do Mar, do calçado, do sector agro-alimentar, turismo e serviços.

Sectores responsáveis pela “criação de um determinado tipo de emprego”, explica Lídia Sequeira . Mais virado para a “inovação e investigação”, que já não se limita “ao que era tradicional no passado”. Pequenas e médias empresas que reinventam aquilo que vendem. Sequeira dá o exemplo de uma que vende sal para o Japão, mas transformado num produto que já não é um simples condimento. E lembra o sector das conservas, que apostou no “design” e na produção de um “conteúdo de qualidade”.

Na visão dos promotores da conferência, o papel do Estado é “não embaraçar” as empresas. “Desburocratizar, qualificar e apoiar na internacionalização”, concretiza Lídia Sequeira. Madelino concretiza: um Governo – como não tem como função criar emprego – deve repensar a sua “política educativa”, apostar na “formação profissional”, apoiar a “economia social” e ir buscar aos fundos comunitários as verbas para o concretizar.

Mas “tudo isto” só resultará se depois um futuro Governo for capaz de assinar um “grande pacto para o emprego em sede de concertação social”, alerta Madelino. Lídia Sequeira concorda. “Se não existir diálogo social as coisas não vão descolar da situação actual”, afirma antes de frisar que os trabalhadores e patrões têm de estar preparados para “discutir tudo”.

António José Seguro já assumira esse compromisso dois dias antes. Prometeu, caso fosse eleito “para governar”, o seu empenho “desde a primeira hora” na elaboração de “um acordo de concertação social estratégico”, de “médio-longo prazo”, tendo o emprego como “prioridade”. O compromisso do secretário-geral do PS foi feito num encontro com sindicalistas a 1 de Maio, onde apontou o emprego como “o centro de todas as políticas do próximo Governo do país”.

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