Crónica de jogo

O Benfica conquistou mais uma oportunidade para a redenção

Empate sem golos na casa da Juventus valeu a 10.ª final europeia aos “encarnados”, a segunda consecutiva na Liga Europa. Benfiquistas acabaram a jogar com nove e vão defrontar o Sevilha.

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O Benfica defendeu de forma tenaz em Turim Stefano Rellandini/Reuters
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Enzo Pérez (que foi expulso) e Tévez GIUSEPPE CACACE/AFP
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Ruben Amorim, Luisão e Siqueira, no chão, a chorar de alegria Olivier Morin/AFP
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Ruben Amorim com Arturo Vidal Stefano Rellandini/Reuters
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A festa benfiquista após o apito final do árbitro Stefano Rellandini/Reuters
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Luisão aponta para o símbolo do clube em Turim Stefano Rellandini/Reuters

Berna, Amesterdão, Londres, Milão, Londres, Bruxelas, Lisboa, Estugarda, Viena e Amesterdão. Foram estes os palcos das nove finais europeias que o Benfica disputou. Ontem, juntou mais uma cidade a esta brilhante geografia. A 14 de Maio próximo, a equipa “encarnada” vai estar em Turim para disputar a final da Liga Europa com o Sevilha, após um empate sem golos de esforço e resistência contra a Juventus, valendo o triunfo obtido uma semana antes por 2-1, na Luz. O Benfica acabou com nove e saiu de Turim com muitas mazelas (Enzo Pérez, Markovic e Salvio não estarão na decisão com os andaluzes), mas com a presença numa final europeia pelo segundo ano consecutivo, depois do desaire em 2013 frente ao Chelsea.

Após o triunfo não muito tranquilo no jogo da primeira mão, o Benfica já sabia que ia ter de resistir. Mas não sabia que seria de forma tão heróica ou com tanto sofrimento. Para garantir essa segunda viagem a Turim teria de suportar a melhor equipa de Itália, apoiada pelo seu público e a sentir a “obrigação” de dar a volta à eliminatória para poder jogar a final no seu estádio.

Como havia prometido, Jorge Jesus não descaracterizou a equipa e jogou com os seus melhores disponíveis, enquanto a Juventus tinha mais poder de fogo, com Llorente e Vidal no “onze”. A seguir ao apito inicial, o Benfica entrou com tudo. Ainda não estava cumprido um minuto de jogo e Rodrigo já tinha tido um remate em posição frontal à baliza de Buffon, que foi desviado pelo braço de Bonucci. O remate foi muito à queima-roupa, mas o defesa italiano desvia, de facto, a trajectória da bola e os “encarnados” reclamaram, com razão um penálti que ficou por marcar.

Mas era um bom início, e o Benfica, no jogo da primeira mão, também tinha tido um bom início que conduzira a um bom final. Só que o bom início “encarnado”, desta vez, durou cerca de dois minutos. E a Juventus foi assumindo o domínio do jogo. O Benfica não conseguia ter bola, perdia-la muito cedo e a Juve, com Andrea Pirlo a manobrar, era perigosa, sem ser mortal.

A bola rondou a baliza do jovem guarda-redes esloveno, mas nunca de forma tão perigosa como aos 45’, quando Vidal cabeceou após cruzamento de Asamoah. Não era Oblak quem lá estava para impedir o golo, mas sim Luisão, decisivo naquele que terá sido o momento mais marcante e simbólico de toda a eliminatória. Era o capitão, aquele que está há mais anos no clube, a não deixar que o chileno marcasse.

O intervalo chegou pouco depois e em boa altura para o Benfica, que teria 15 minutos para descansar, repensar a estratégia e preparar-se para mais 45 minutos de sofrimento.

E foi ainda mais heróica a resistência “encarnada” na segunda parte. O Benfica até entrou melhor, mas o dramatismo subiu com a expulsão de Enzo Pérez, o tal que podia não ter jogado, aos 67’, que viu o segundo amarelo após falta sobre Vidal. Nos últimos jogos, o Benfica já se tinha habituado a jogar com dez e teve de o fazer mais uma vez, desta vez durante cerca de meia-hora. Já o desespero da equipa de Turim foi crescendo na mesma medida que os minutos eram cada vez menos para tentar a final caseira.

Ninguém conseguia estar sentado nos respectivos bancos. Perto dos 90’, uma troca de provocações faz com que o árbitro expulse dois jogadores que não estavam em jogo (Vucinic e Markovic) e, pouco depois, Garay sai lesionado quando já se estava em tempo de compensação — Clattenburg tinha dado seis minutos. Com nove jogadores contra 11, o Benfica resistiu, resistiu, resistiu. E, oito minutos depois dos 90’, respirou fundo por uns momentos e festejou, como já tantas vezes fez esta época. Mais uma final garantida. E mais uma oportunidade de redenção.

A Figura - Luisão

Anderson Luis de Souza chegou a Portugal no Verão de 2003 proveniente do Cruzeiro de Belo Horizonte. Era um promissor defesa-central, já internacional pelo Brasil, mas ainda em formação. Muitos centrais passaram pela Luz, mas só Luisão criou raízes e, 11 anos depois, é ele o capitão e já responsável directo por muitos grandes momentos do Benfica nos últimos tempos. Nesta quinta-feira, foi decisivo, ao cortar em cima da linha um cabeceamento de Vidal, naquela que foi a melhor oportunidade de golo da Juventus em todo o jogo. Esse lance foi a síntese perfeita da exibição de Luisão no jogo. Intratável na defesa, sem dar espaço a Llorente (e a simbiose com Garay continua perfeita), e líder quando a equipa mais precisava, nos momentos em que perdeu Enzo e Garay. Esta é mesmo a sua melhor época desde que chegou a Portugal.

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