Morreu Bob Hoskins, o actor que saltava da animação para os filmes de gangsters

O detective de Quem Tramou Roger Rabbit sofria da doença de Parkinson.

Bob Hoskins homenageado em 2002 no Festival de Cinema de San Sebastian, Espanha, pelo conjunto da carreira
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Bob Hoskins homenageado em 2002 no Festival de Cinema de San Sebastian, Espanha, pelo conjunto da carreira Pablo Sanchez/Reuters

Recordamos a sua figura um pouco anafada, que tanto podia corporizar a máxima violência como a mais desconcertante bonomia, em filmes como Mona Lisa (Neil Jordan, 1986) ou Quem Tramou Roger Rabitt (Robert Zemeckis, 1988), mas que também aceitou fazer trabalho menores e ao sabor do tempo, como Super Mário (Annabel Jankel e Rocky Morton, 1993), mesmo que depois tenha confessado que fora “a pior coisa” que fizera…

Falamos de Bob Hoskins (n. Suffolk, 1942), que morreu na noite de terça-feira num hospital de Inglaterra, “tranquilamente” e confortado com a presença da família, diz o comunicado do seu agente reportando o desaparecimento de um dos mais carismáticos actores britânicos da sua geração.

Bob Hoskins tinha 71 anos, e tinha-se retirado do cinema no Verão de 2012 – após ter vivido “uma carreira maravilhosa”, confessou então –, depois de no ano anterior lhe ter sido diagnosticada a doença de Parkinson.

“Estamos devastados com o desaparecimento do nosso querido Bob”, disseram os seus quatro filhos e a segunda mulher Linda, segundo o comunicado citado pela agência AFP. E a comunidade artística britânica expressou o seu pesar pela voz da sua colega de ecrã Judi Dench – com quem tinha contracenado em Mrs. Henderson (Stephen Frears, 2005): “Lamento muito a notícia, e penso na sua família neste momento triste”.

Bob Hoskins deixa uma carreira de 40 anos e mais de uma centenas de filmes, entre o grande e o pequeno ecrã. Foi, de resto, na televisão que iniciou a sua carreira de actor, no início da década de 1970, tendo merecido um primeiro momento de reconhecimento quando participou na série Pennies from Heaven, realizada por Dennis Potter.

Ao longo de uma carreira em que alternou com regularidade o trabalho na televisão com o cinema, quer na produção independente britânica, quer em Hollywood, Bob Hoskins teve como primeiro momento verdadeiramente mediático o seu papel de condutor de uma call girl em Mona Lisa, que lhe valeria prémios de interpretação no Festival de Cannes, um Globo de Ouro e ainda um Bafta. Venceu também um Emmy pelo seu trabalho na série britânica The Street (2009), exibida pela BBC.

Na sua extensa filmografia, em que transitou, com impressionante facilidade e verosimilhança, entre figuras de gangster e psicopatas e personagens de grande comicidade, anotem-se títulos como A Sexta-Feira Mais Longa (John Mackenkie, 1980), Hook (Steven Spielberg, 1991), Nixon (Oliver Stone, 1995), ou A Viagem de Felícia (Atom Egoyan, 1999).

Na notícia que dedica à morte de Bob Hoskins, o The Guardian recorda uma afirmação do actor na qual este parece querer justificar os seus últimos trabalhos, em filmes como Outside Bet (Sacha Bennett, 2012), ou A Branca de Neve e o Caçador (Rupert Sanders, 2012): “Há sempre alguém que nos liga e diz: ‘Bob, antes de partires, há aqui um canto do cisne perfeito para ti…’”.

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