Percurso político e académico compensam falta de experiência empresarial de Frasquilho, conclui CRESAP

Comissão de Recrutamento e Selecção para Administração Pública aprova escolha do social-democrata para liderar a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

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Frasquilho é deputado e quadro do BES Miguel Manso

Por unanimidade, mas com um reparo, a Comissão de Recrutamento e Selecção para Administração Pública (CRESAP) aprovou no dia 22 a escolha do deputado social-democrata Miguel Frasquilho para a presidência do conselho de administração da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

O relatório sobre a avaliação do currículo e a adequação das competências de Miguel Frasquilho refere que, “apesar de não ter experiência na gestão de topo e pouco extensa em contexto empresarial”, o vice-presidente da bancada parlamentar do PSD e director-coordenador do Departamento Espírito Santo Research merece “o parecer [vinculativo] de ‘Adequado’” para o cargo em causa, para o qual foi proposto pelo Governo. Isto, nota a CRESAP, porque Frasquilho tem exercido “funções de carácter estratégico/político” que, conjugadas com “a boa formação académica” e “capacidade de análise de informação” que possui, lhe permitiram um “conhecimento privilegiado da situação económica e financeira do país”.

A CRESAP recorda que Miguel Frasquilho “participou recentemente na Comissão de Reforma do IRC e é vice-presidente da comissão parlamentar [eventual] de Acompanhamento das Medidas do Programa de Assistência Financeira a Portugal”.

Contactado pelo PÚBLICO ao princípio da noite, Frasquilho declarou estar "embrenhado na questão do contrato de investimento da Autoeuropa" e que, em qualquer caso, não iria comentar a deliberação da CRESAP.

Nascido há 48 anos, o deputado Miguel Frasquilho integra também a Comissão Parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública e foi secretário de Estado do Tesouro e Finanças no Governo de Durão Barroso. Mestre em Teoria Económica, foi também professor da Universidade Nova de Lisboa e da Universidade Católica Portuguesa e é autor de vários livros na área da economia.

A CRESAP deu ainda parecer favorável, sem lhes apontar qualquer handicap, aos quatro vogais também propostos pelo Governo para a administração da AICEP: Luís Castro Henriques, Pedro Ortigão Correia, José Vital Morgado e Pedro Pessoa e Costa.