A partir de hoje já é possível embarcar numa viagem até aos Descobrimentos

Os bilhetes custam 14 euros por adulto, 8 para crianças e 11 para estudantes e séniores. O investimento no novo museu e parque temático rondou os oito milhões de euros e foram criados 40 postos de trabalho.

Fernando Veludo/NFactos
Fernando Veludo/NFactos
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Foi a primeira volta ao Mundo, aos 20 anos, que despertou no proprietário da Douro Azul, Mário Ferreira, a vontade de dar a conhecer a história dos Descobrimentos Portugueses. Esta sexta-feira abre ao público o World of Discoveries, um museu interactivo e parque temático em pleno centro histórico do Porto.

É no espaço onde no passado foram construídas três naus da armada de Vasco da Gama, que se encontra, na opinião a directora do museu, Ana Torres, “todo um novo mundo”. O “novo mundo”, já achado anteriormente pelos portugueses nos séculos XV e XVI, é agora retratado com cenários construídos à escala real, proporcionando aos visitantes novas experiências.

É o emblemático Infante D. Henrique que, à entrada, saúda os visitantes e os convida a entrar. Ainda que seja apenas um holograma, em tamanho real, o Infante apresenta a viagem e retrata a sua vida. E assim começa a viagem no tempo.

A primeira sala do museu, Intentos e Inventos, dá a conhecer mais sobre as navegações. A sala apresenta as embarcações da época, desde a barca à nau, passando pelo galeão e pela caravela. Para saber mais sobre estas é só explorar a informação através de monitores táctéis. Os instrumentos utilizados para navegar, como a bússola, o astrolábio, a balestilha ou o quadrante também estão expostos.

O próximo espaço é para Mário Ferreira um dos mais bem conseguidos. Mundos ao Mundo expõe a forma como o Mundo foi sendo conhecido, de 1321 a 1800, através de dois globos interactivos em 4D. O proprietário da Douro Azul e CEO da Mystic River, empresa que detém o World of Discoveries, explica que o trabalho feito com os globos foi desenvolvido por uma empresa nacional, a Gema e que é, “até à data, um projecto único”. Além do trabalho de cartografia é ainda possível ter acesso a informações através de ecrans tácteis sobre a ciência da época, os principais navegadores, os mitos e estórias, a arte e a cultura ou ainda a vida a bordo.

Passado este espaço onde é dado a conhecer o trabalho do Infante, é explorada a vida a bordo. Nesta sala encontra-se o famoso rinoceronte trazido pelos portugueses e que a corte de Lisboa ofereceu ao Papa Leão X, no século XVI. Ainda na nau é ilustrado o modo de vida dos navegadores, com as camas de madeira cobertas de palha onde dormiam, as mercadorias levadas e trazidas nas viagens, a comida e as armas. Por último, o estaleiro retrata o trabalho de construção das naus, com um carpinteiro, o seu aprendiz e as ferramentas.

Em todos os espaços, os visitantes podem usufruir da presença de guias que farão, sempre trajados a rigor, pequenas encenações do que seria viver naquela época. Ana Torres lembra que o objectivo passa por fazer com que todos sintam “realmente uma viagem no tempo”.

E por fim, a verdadeira viagem. Após o embarque dos navegadores no Estaleiro de Miragaia, no Porto, e na Ribeira das Naus, em Lisboa, a viagem ruma a sul assinalando um marco importante: a conquista de Ceuta. E eis que um túnel escuro, em tons de azul, surge misterioso e apresenta o Cabo das Tormentas, onde os visitantes são devorados pelo gigante Adamastor. A viagem pelo Mar Tenebroso é acompanhada com o uivar constante da tempestade e o mar incontrolável que quase invade o navio. Após este percurso mais atribulado, a viagem segue pelas florestas tropicais, onde a paisagem verde e as cascatas, com verdadeiras aves exóticas, transportam os viajantes para tais paragens. E depois de passar pela Índia, Timor, China, Macau, Japão e Brasil a viagem chega ao fim.

A directora do museu observa que os objectivos do projecto passam, essencialmente, por ressuscitar o orgulho nacional, criar um novo entusiasmo pela história e trazer um complemento cultural e histórico da cidade aos turistas. “ [A ideia é] voltar os portugueses para aquilo que já fomos, para a grandeza de uma nação, e entusiasmá-los para aquilo que nos devemos lembrar sempre, que já fomos e para [a ideia de] o voltarmos a ser, todos os dias”, defende Ana Torres.

O World of Discoveries abre esta sexta-feira ao público e, de acordo com Mário Ferreira, são esperados no primeiro ano cerca de 300 mil visitantes. O empresário explica que este é um “projecto desenhado para todas as áreas e muito transversal”, sendo mais interactivo e lúdico para as crianças, para que as mesmas possam “aprender, divertindo-se”, e preparado para as famílias, para os portugueses e para os turistas.

Mário Ferreira adianta que o projecto vai criar cerca de 40 postos de trabalho, que podem aumentar no futuro, uma vez que a aceitação tem ido para além das suas expectativa. O investimento total do museu interactivo e parque temático rondou os oito milhões de euros e resulta de um concurso público lançado pela Câmara do Porto em Julho em 2011. Os preços das entradas são de 14 euros por adulto, 8 por criança (dos 4 aos 12 anos) e 11 para estudantes e séniores (mais de 65 anos). O espaço conta ainda com o restaurante Mundo dos Sabores e a loja Sphera Mundi. 

Texto editado por José António Cerejo