Director de equipa de Lance Armstrong suspenso por dez anos

O belga Johan Bruyneel foi implicado numa “conspiração” ligada ao doping enquanto liderou as equipas da US Postal e da Discovery Channel. Dois espanhóis também foram condenados.

Foto
Reuters

O director da equipa a que pertenceu Lance Armstrong foi alvo de uma suspensão por dez anos de qualquer actividade desportiva pelo seu envolvimento em casos de doping, revelou esta terça-feira a Agência Antidoping dos EUA (USADA, na sigla em inglês).

Para além do belga Johan Bruyneel, também os espanhóis Pedro Celaya e Pepe Marti foram suspensos por oito anos. Bruyneel admitiu a sua implicação, mas afirma não reconhecer a jurisdição da agência norte-americana.

“As provas indicam conclusivamente que Bruyneel era o líder de uma conspiração para introduzir doping nas equipas US Postal e Discovery Channel, durante um grande período de anos e abrangendo vários ciclistas”, pode ler-se na sentença da USADA, citada pela Reuters.

Bruyneel, considerado o braço direito de Armstrong, foi director da equipa do norte-americano durante as suas sete vitórias consecutivas no Tour, entre 1999 e 2005, e ainda durante o seu regresso à competição, em 2009 e 2010.

O ciclista ficou sem os sete títulos conquistados em França e foi suspenso de qualquer actividade desportiva para o resto da vida, depois de uma investigação de 2012 da USADA. Armstrong reconheceu ter utilizado substâncias proibidas durante o programa televisivo de Oprah Winfrey, em Janeiro de 2013.

“Não contesto que existem certos elementos da minha carreira que desejo que fossem diferentes, nem contesto que o doping foi um facto da vida do pelotão durante um considerável período”, escreveu Bruyneel num comunicado publicado na sua página pessoal. “No entanto, apenas uma pequena minoria de nós foi utilizada como bodes expiatórios para uma geração. Há claramente algo de errado com um sistema que permite que apenas seis indivíduos sejam punidos como retribuição dos pecados de uma era”, acrescentou.

O belga afirmou que vai continuar a não reconhecer a jurisdição da USADA, deixando em aberto a possibilidade de recorrer da decisão junto do Tribunal Arbitral do Desporto. Lembrando que é um belga a viver no Reino Unido e que nunca fez parte da Federação de Ciclismo dos EUA, Bruyneel disse “não ser correcto ou aceitável que a USADA (…) possa determinar livremente o sustento de qualquer indivíduo que decida julgar”.

De acordo com a USADA, o painel da Associação Norte-Americana de Arbitragem Desportiva (AAA, na sigla original) reconhece a autoridade daquela agência.

Pedro Celaya foi médico da equipa da US Postal entre 1997 e 1999, regressando em 2004. Segundo a USADA, o espanhol “possuía e administrava produtos dopantes, incluindo EPO [que aumenta a produção de glóbulos vermelhos], transfusões de sangue e cortisona”. Pepe Marti foi um dos treinadores da mesma equipa entre 1999 e 2007. É acusado de distribuir substâncias proibidas, “incluindo EPO, testosterona, hormonas de crescimento e cortisona”.