Morreu Hurricane Carter, o pugilista injustiçado que inspirou Bob Dylan

Hurricane Carter em 1999 com Denzel Washigton na estreia do filme que lhe foi dedicado
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Hurricane Carter em 1999 com Denzel Washigton na estreia do filme que lhe foi dedicado Fred Prouser/Reuters

Rubin "Hurricane" Carter, o ex-pugilista norte-americano que passou 20 anos preso depois de um julgamento considerado racista, e inspirou o músico Bob Dylan a escrever a canção Hurricane, morreu hoje em Toronto, Canadá.

"Repousa em Paz Rubin, a tua luta está terminada, mas não será esquecida", pode ler-se na página da internet da associação de defesa das vítimas de erros judiciários (AIDWYC), da qual "Hurricane" Carter foi diretor executivo entre 1993 e 2005.

Apesar de se ter declarado sempre inocente, Rubin Carter, afro-americano, foi condenado duas vezes, em 1967 e 1976, pela morte de três brancos num bar de Nova Jérsia em 1966. A sentença foi decretada por um júri composto apenas por brancos, e aplicada também a John Artis, suposto cúmplice de Rubin Carter.

John Artis, que acompanhou "Hurricane" até ao fim, disse aos media norte-americanos e canadianos que o ex-pugilista, que tinha cancro na próstata e morreu aos 76 anos em casa, em Toronto.

Carter foi libertado em 1985, depois de passar mais de 19 anos preso, quando um juiz federal anulou a sua segunda condenação, considerando-a manchada de racismo.

Bob Dylan escreveu a canção Hurricane sobre a vida de Carter, que se tornou num símbolo da injustiça. A vida de Rubin Carter serviu ainda de inspiração ao filme O Furacão, de 1999, protagonizado por Denzel Washington.

A prisão de "Hurricane" pôs fim à sua carreira de pugilista.